Resultado do Enamed afeta ações do setor de educação na B3
Segundo o MEC, cerca de um terço das universidades avaliadas apresentaram desempenho insatisfatório nos cursos de medicina. Setor buscou recuperação após baque
As instituições federais e estaduais apresentaram os melhores desempenhos. (Foto: Adobe Stock)
Os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), divulgados nesta segunda-feira, 19, pelo Ministério da Educação (MEC), pesaram sobre o mercado e levaram as ações das empresas de educação a encerrarem o pregão da segunda em queda na B3.
Dados compilados pela Broadcast mostram que a Cogna (COGN3) fechou a sessão da segunda (19) cotada a R$ 3,60, com recuo de 1,91%; a Ânima(ANIM3) terminou o dia a R$ 3,74, com queda de 6,73%; a Ser Educacional(SEER3) caiu 6,77%, para R$ 10,06; a Cruzeiro do Sul Educacional (CSED3) registrou baixa de 0,33%, a R$ 6,09; a Vitru Educação (VTRU3) recuou 3,00%, encerrando a R$ 14,88; e a Yduqs (YDUQ3) fechou a R$ 11,88, com perda de 1,90%. O movimento reflete a pressão vendedora generalizada sobre o setor ao longo do dia.
Nesta terça, as ações de educação buscaram a recuperação: COGN3 subiu 1,39%, ANIM3 teve alta de 1,33%, SEER3 acabou subindo 0,80%, CSED3 fechou perto da estabilidade, ganhando 0,16%, VTRU3 avançou 1,34% e YDUQ3 teve alta de 1,09%. O Ibovespa fechou no positivo: subiu 0,87%, aos 166.274 pontos.
A piora no desempenho dos ativos no primeiro pregão da semana está diretamente relacionada aos resultados do Enamed. Segundo o MEC, cerca de um terço das universidades avaliadas apresentou desempenho insatisfatório nos cursos de medicina. Ao todo, foram analisados 351 cursos, dos quais 107 obtiveram notas 1 e 2. Desses, 99 estão sujeitos a penalidades, que podem incluir redução no número de vagas e outras medidas regulatórias.
As instituições de ensino superior municipais concentraram os piores resultados: 87,5% delas ficaram nas faixas mais baixas da avaliação. Entre as universidades privadas com fins lucrativos, 58,4% dos cursos tiveram desempenho considerado insatisfatório.
Em contrapartida, as instituições federais e estaduais apresentaram os melhores desempenhos. Segundo os dados do MEC, 87,6% das universidades federais e 84,7% das estaduais tiveram cursos classificados nas faixas 4 e 5, consideradas de alto desempenho.
Para o diretor-geral da Faculdade do Comércio da Associação Comercial de São Paulo e membro do Conselho Estadual de Educação, Wilson Rodrigues, o principal ponto de atenção é o fato de esta ter sido a primeira aplicação do exame, sem um período de transição ou adaptação para as instituições.
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Segundo ele, as penalidades associadas aos resultados são severas e podem incluir redução de vagas, impedimento de acesso ao Programa Universidade para Todos (Prouni) e ao Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior(Fies), além da possibilidade de cancelamento de vestibulares.
“Embora o exame seja extremamente necessário, entendo que o MEC e o Inep agiram de forma um pouco precipitada ao definir as punições. Poderia ter havido um prazo maior de adaptação para as universidades”, afirmou.
Procurada, a Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) informou, em nota, que análises preliminares feitas por instituições de todo o País indicam divergências entre os dados enviados como insumo em dezembro de 2025 e os números divulgados nesta segunda-feira pelo MEC no Enamed.
Segundo a entidade, é necessário aguardar esclarecimentos do MEC e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) “antes de qualquer manifestação conclusiva sobre os números apresentados”. A associação chegou a tentar barrar judicialmente a divulgação dos resultados, mas teve o pedido negado.