

As bolsas de Nova York fecharam o pregão desta quarta-feira (26) em queda, enquanto os investidores acompanham relatos sobre possíveis novas tarifas do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre cobre, automóveis e bens da União Europeia. Além disso, o mercado digere falas dos dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Austan Goolsbee, Neel Kashkari e Alberto Musalem. O bitcoin também caiu hoje, enquanto o dólar e os títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano (Treasuries) subiram.
O índice Dow Jones fechou em baixa de 0,31%, aos 42.454,79 pontos; o S&P 500 perdeu 1,12%, aos 5.712,20 pontos; e o Nasdaq recuou 2,04%, aos 17.899,01 pontos. Os dados são preliminares.
As ações de tecnologia puxaram a queda do S&P 500, depois de o índice ter fechado em alta por três sessões consecutivas. A GameStop subiu mais de 11% após o conselho da varejista de videogames aprovar um plano de mais investimento em bitcoin. A medida não foi uma surpresa, pois já havia sido alvo de especulações recentes.
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A Tesla caiu 5,58% depois de as ações da fabricante de veículos elétricos subirem por cinco sessões consecutivas, apesar de uma queda nas vendas na Europa. O presidente Donald Trump está preparando uma declaração sobre tarifas de importação de automóveis para as 17h00 (horário de Brasília, na quarta-feira, disse a Casa Branca.
As ações dos fabricantes tradicionais de automóveis também aguardavam detalhes sobre tarifas, com destaque para a General Motors, que caiu mais de 3%.
A Nvidia perdeu 5,7%. Segundo informações do “Financial Times”, reguladores chineses têm desencorajado as grandes empresas de tecnologia do país a comprar o chip H20 da empresa americana, pois ele infringe regras de eficiência energética.
A Boeing perdeu 2,21% após um juiz federal ordenar que a fabricante de aviões seja julgada em junho em um processo criminal relacionado a dois acidentes com o 737 MAX, em 2018 e 2019. O “Wall Street Journal” informou, na segunda-feira, que a Boeing tentou retirar um acordo anterior para se declarar culpada no caso.
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A Dollar Tree subiu quase 3% depois que a empresa fechou um acordo para vender sua unidade Family Dollar por mais de US$ 1 bilhão para as firmas de private equity Brigade Capital Management e Macellum Capital Management.
Juros dos EUA avançam
Os rendimentos dos títulos de longo prazo do Tesouro dos Estados Unidos chegaram ao fim da tarde desta quarta-feira em alta, com ampliada ansiedade em relação à política comercial dos Estados Unidos antes de um possível anúncio de novas tarifas sobre automóveis pelo presidente Donald Trump.
Por volta das 17h (horário de Brasília), juro da T-note de 2 anos subia a 4,017%. O rendimento do título de 10 anos avançava a 4,349%, enquanto a taxa do T-bond de 30 anos subia para 4,700%.
O mercado de dívida digere as falas dos dirigentes do Federal Reserve (Fed) Austan Goolsbee, Neel Kashkari e Alberto Musalem. O presidente do Fed de St. Louis, Alberto Musalem, não está convencido de que a inflação impulsionada pelas tarifas será transitória. No essencial, parece que os membros mais hawkish do Fed não concordam com a suposição base do presidente Jerome Powell de que o impacto inflacionário das tarifas será temporário, dizem Vail Hartman e Ian Lyngen, estrategistas de renda fixa do BMO Capital Markets.
Embora Musalem reconheça que o impacto “direto” das tarifas não será persistente, ele teme seus efeitos “indiretos”, afirmam. Especificamente, “os efeitos secundários sobre bens e serviços não importados podem ter um impacto mais persistente na inflação subjacente.”
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O presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, destacou nesta quarta-feira que as políticas tarifárias e imigratórias de Trump devem impactar a economia de forma ainda mais pronunciada até o fim deste ano. Mais cedo, o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, disse que sinais de que investidores do mercado de títulos dos EUA estão aumentando expectativas de inflação no longo prazo serão um “grande alerta vermelho”, capaz de interromper o ciclo de cortes de juros planejado pelo banco central americano. A sessão foi marcada ainda por dados de encomendas de bens duráveis que ficaram acima das expectativas.
Moedas Globais: dólar sobe
O dólar sobe ligeiramente, mas opera dentro de uma faixa relativamente estreita em relação a uma cesta de moedas, com as incertezas sobre as tarifas dos Estados Unidos. Uma surpresa positiva nas encomendas de bens duráveis aliviou os temores de recessão e deu impulso à moeda.
O índice DXY, que acompanha o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, avançou 0,35%, para 104,547 pontos. O dólar subia para 150,54 ienes, enquanto o euro cedia para US$ 1,0755 e a libra esterlina caía para US$ 1,2889.
O economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, vê o mercado de moedas precificando incertezas por conta das tarifas dos EUA a parceiros comerciais, que serão impostas na próxima semana. Não se sabe quais produtos serão sobretaxados nem em quanto ficarão as alíquotas adicionais, gerando perturbação nos negócios, segundo ele.
As encomendas de bens duráveis nos EUA subiram acima das expectativas dos analistas consultados pela FactSet, que previam queda no período, ajudando a sustentar o avanço da moeda americana.
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A libra ampliou perdas ante o dólar mais cedo após o índice de preços ao consumidor (CPI) do Reino Unido vir abaixo do esperado. A moeda ficou relativamente estável após a divulgação do orçamento britânico nesta quarta-feira, com a ministra das Finanças, Rachel Reeves, conseguindo evitar desagradar investidores estrangeiros, segundo Kyle Chapman, analista de câmbio do Ballinger Group.
O euro apresentava desvalorização diante do dólar, e na avaliação do ING, o mercado está subestimando o risco para a moeda europeia das tarifas recíprocas dos EUA, enquanto a moeda americana se mantém em alta por uma possível “seletividade” da sobretaxação.
Já o iene desvalorizava frente ao dólar após o presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, afirmar que a economia japonesa continuará crescendo em um ritmo acima do esperado, mas que há “grandes incertezas em torno da atividade econômica” do país.
Para o analista da ING, Chris Turner, os investidores devem continuar cautelosos ao comprar a lira turca, apesar de as autoridades terem anunciado várias medidas para estabilizar a moeda depois das mínimas recordes na semana passada. As quedas acentuadas da lira após a prisão do rival do presidente turco Recep Tayyip Erdogan, Ekrem Imamoglu, causaram um choque no mercado. “Embora o banco central pareça ter controlado os movimentos da lira agora, o renovado interesse por operações de carry trade – onde investidores tomam empréstimos em moedas de baixo rendimento para comprar moedas com rendimentos mais altos, como a lira – será limitado!”, acrescenta.
Bitcoin recua
O bitcoin apresenta queda neste fim de tarde, refletindo a cautela do mercado diante das preocupações sobre o teto da dívida dos EUA e as tarifas americanas, que devem entrar em vigor na próxima semana.
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Por volta das 16h00 (horário de Brasília), o bitcoin recuava 1,27%, sendo cotado a US$ 86.578,23, enquanto o Ethereum caía 2,63%, a US$ 2.007,95, segundo dados da Binance.
Durante a manhã, o bitcoin avançou e chegou perto do nível de US$ 89.000 após o conselho da GameStop, varejista de videogames, aprovar um plano de mais investimentos em bitcoin. No entanto, a notícia não foi suficiente para sustentar o avanço da criptomoeda, já que o cenário atual mostra que os ativos de risco estão apresentando fraqueza, como as bolsas de Nova York.
Novas preocupações sobre o teto da dívida dos EUA pairam sobre os mercados. O Gabinete de Orçamento do Congresso (CBO, na sigla em inglês) dos Estados Unidos divulgou um relatório hoje informando que o governo federal pode ficar sem dinheiro já em agosto, caso o limite da dívida americana não seja alterado.
A incerteza em torno das novas tarifas comerciais dos EUA, que entram em vigor em 2 de abril, também sustentou a cautela nos mercados. O presidente, Donald Trump, afirmou na noite de ontem que não deverá haver muitas exceções às tarifas recíprocas de importação que serão implementadas na próxima semana. A Casa Branca, por sua vez, confirmou que Trump faria novos anúncios sobre tarifas automotivas nesta quarta-feira.
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“Os analistas permanecem cautelosos, vendo a ação recente dos preços como potencialmente enganosa, aguardando mais clareza sobre as políticas tarifárias de Trump”, afirmam os analistas do Saxo Bank.
Enquanto monitoram os novos desdobramentos do tarifaço de Trump, os investidores digerem dados econômicos em busca de sinais sobre a saúde financeira da maior economia do mundo. As encomendas de bens duráveis nos EUA subiram acima das expectativas dos analistas consultados pela FactSet, que previam queda no período.
Além disso, Paul Atkins, indicado para presidir a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), se comprometeu hoje a adotar uma postura “racional, coerente e fundamentada” na criação de regulamentações para o mercado de criptomoedas.
*Com informações da Dow Jones Newswires