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As bolsas de Nova York fecharam em queda nesta quinta-feira (27), diante das confirmações de aplicação de tarifas pelo governo de Donald Trump e da angústia sobre os custos de desenvolvimento de produtos e infraestrutura relacionados à inteligência artificial. A Nvidia derreteu diante das margens mais compactadas mesmo após resultados e projeções acima das expectativas. O bitcoin também recuou, enquanto o dólar subiu. Os títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano (Treasuries), por outro lado, operaram mistos.
O índice Dow Jones caiu 0,45%, a 43.239,19 pontos e o S&P 500 teve baixa de 1,59%, a 5.861,69 pontos. Já o índice Nasdaq derreteu 2,78%, aos 18.544,42 pontos, após uma leve alta na véspera. O índice de volatilidade VIX, conhecido como o “termômetro do medo de Wall Street”, saltou 10% na sessão.
Trump disse que pretende impor tarifas recíprocas para a União Europeia, enquanto confirmou que aplicará tarifa adicional de 10% sobre bens importados da China.
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A Nvidia recuou 8,5% após o balanço da empresa de chips de inteligência artificial mostrar margens de lucro menores, o que ofuscou o lucro, a receita e as projeções acima das expectativas. Entre as empresas de semicondutores, a Microstrategy e a Broadcom caíam 7,31% e 5%, respectivamente.
O nervosismo em relação ao boom da inteligência artificial também atingia a Constellation Energy (-7,6%) e a Vistra (-12,3%), mesmo após essa última apresentar lucro forte no quarto trimestre.
A Salesforce cedeu 4,04%. A fabricante de software de gerenciamento de relacionamento com o cliente relatou lucro ajustado no quarto trimestre de US$ 2,78 por ação, superando as expectativas dos analistas, mas fez projeções frustrantes para o ano fiscal de 2026.
A Snowflake saltou 7,7% depois que a empresa de armazenamento de dados baseada em nuvem anunciou lucro e receita acima das estimativas de Wall Street.
A Tesla fechou em baixa de 3,04% e estendeu a queda para a sexta sessão seguida.
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Do lado macroeconômico, a revisão do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA do fim do ano passado apenas confirmou a estimativa preliminar.
Moedas Globais: dólar opera em alta
O dólar registrou forte valorização em relação a outras moedas fortes. O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmando que as tarifas de 25% contra Canadá e México, além de uma tarifa adicional de 10% sobre a China, serão impostas na próxima semana, impulsionou a moeda americana, que viu alta frente ao euro, ao peso mexicano e ao dólar canadense. Antes disso, o PIB americano e o índice de gastos com consumo (PCE) do quarto trimestre já haviam dado fôlego à moeda.
O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, fechou em alta de 0,78%, a 107,244 pontos, com a moeda americana avançando a 149,76 ienes. O euro, por sua vez, caía a US$ 1,0405, e a libra operava em queda a US$ 1,2611. O dólar americano avançou a 20,5035 pesos mexicanos e subiu a 1,4447 dólares canadenses.
O republicano também afirmou que espera fechar um acordo comercial com o Reino Unido em breve.
Para a Capital Economics, as expectativas de aumento nas tarifas de importação dos EUA, especialmente sobre os produtos chineses, “apontam para um dólar mais forte”. Além disso, a expectativa de que o Fed mantenha as taxas de juros inalteradas ao longo do ano, devido às políticas de Trump, que poderiam ser estagflacionárias, deve beneficiar o dólar.
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O LMAX Group observa que o dólar se valoriza à medida que “a tensão comercial envolvendo Trump continua a gerar interesse”, embora acredite que isso seja mais uma tática de negociação.
No contexto das tarifas, o euro não conseguiu se beneficiar da cautela emitida pela ata da última reunião do Banco Central Europeu (BCE). Divulgado hoje, o documento apontou que os riscos de baixa para o crescimento econômico da zona do euro ainda não são suficientemente graves para justificar cortes de juros acelerados, sendo necessária cautela devido à elevada incerteza.
Nos EUA, Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, afirmou que a política monetária atual não está “significativamente restritiva” e que uma abordagem paciente oferece mais tempo para monitorar dados. Já o presidente do Fed de Kansas, Jeffrey Schmid, destacou que os índices sugerem que o BC americano está próximo de atingir seu duplo mandato. Patrick Harker, presidente do Fed de Filadélfia, reforçou que a política monetária dos EUA segue “restritiva o suficiente para continuar colocando pressão descendente sobre a inflação no longo prazo”.
Juros dos EUA operam mistos
Os rendimentos dos Treasuries operavam divergentes, com a ponta longa se recuperando de seis sessões seguidas de queda, com comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmando que as tarifas de 25% contra Canadá e México, além de tarifa adicional de 10% sobre a China, serão impostas na próxima semana. A segunda leitura do PIB americano no quarto trimestre e do índice trimestral de gastos com consumo (PCE) também impulsionaram levemente os juros dos títulos americanos.
Neste fim de tarde, o retorno da T-note de 2 anos caía a 4,060%, o rendimento de 10 anos tinha alta a 4,272% e o juro do T-bond de 30 anos subia a 4,553%.
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Segundo a Capital Economics, os rendimentos dos Treasuries estão se recuperando devido a ajustes nas expectativas de mercado sobre as políticas de Trump. A consultoria afirma que “as expectativas de uma grande mudança de política contribuíram para rendimentos mais altos”, mas destaca que “tem havido mais barulho e agitação do que substância”. O aumento das tarifas sobre produtos chineses pode “ajudar a melhorar o equilíbrio oferta/demanda no mercado de títulos”.
Hoje, Trump confirmou que as tarifas sobre importações do Canadá e do México entrarão em vigor em 4 de março, e que “a China estará sujeita a uma tarifa adicional de 10%” nessa data. O republicano também afirmou que espera fechar um acordo comercial com o Reino Unido “muito rapidamente”.
A segunda leitura do PIB dos EUA do quarto trimestre de 2024 confirmou alta anualizada de 2,3%, desacelerando frente ao avanço anualizado de 3,1% no trimestre anterior, enquanto o índice de preços de gastos com consumo (PCE), medida preferida de inflação pelo Federal Reserve (Fed), e seu núcleo aceleraram no período.
Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, afirmou que a política monetária atual não está “significativamente restritiva”, e que uma abordagem paciente permite mais tempo para monitorar o mercado de trabalho e a inflação. O número de pedidos de auxílio-desemprego subiu para 242 mil, acima da expectativa.
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O presidente do Fed de Kansas, Jeffrey Schmid, por sua vez, afirmou que os dados sugerem que o BC americano está perto de atingir duplo mandato. Patrick Harker, presidente do Fed de Filadélfia, reforçou que a política monetária dos EUA segue “restritiva o suficiente para continuar colocando pressão descendente sobre a inflação no longo prazo”.
Bitcoin recua
O preço do bitcoin voltou a ceder, descarrilando a tentativa de recuperação observada pela manhã. A dinâmica prolongava a dinâmica baixista da principal criptomoeda para quinta sessão seguida diante da falta de avanços significativos das promessas do governo de Donald Trump de favorecer o ambiente de negócios para ativos digitais.
Nas 24 horas até as 16h50 (de Brasília), o bitcoin caía 0,28%, a US$ 83.878,64, e o ethereum perdia 0,48%, a US$ 2.290,43, de acordo com a Binance.
As ameaças tarifárias do presidente Donald Trump seguem afastando os investidores dos ativos de risco, deixando as criptomoedas sem força. O bitcoin chegou a subir mais cedo, mas não teve forças para sustentar o movimento.
Para completar, o episódio do ataque à Bybit, a segunda maior corretora de criptomoeda em volume negociado do mundo, também continua abalando o sentimento. “Sem qualquer movimento firme de Trump para mostrar seu apoio ao setor de criptografia, o nervosismo parece destinado a continuar”, disse a analista da Hargreaves Lansdown, Susannah Streeter, em nota.
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O Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI) acusou hackers ligados à Coreia do Norte de conduzir um dos maiores roubos de criptomoedas conhecidos publicamente, apreendendo cerca de US$ 1,5 bilhão em ethereum de uma empresa sediada em Dubai. O roubo no início deste mês teve como alvo a Bybit.
O rumo de baixa das criptomoedas se alinhava à queda das ações de tecnologia, o que punia o Nasdaq com perda de mais de 1% perto das 16h59 (de Brasília). Mesmo após divulgar lucro, receita e projeções acima da expectativa ontem, Nvidia via suas ações derreterem mais de 5% em NY, diante das apreensões sobre a produção de seus chips Blackwell, o que pode prejudicar as margens de lucro em ritmo maior e mais veloz do que o previsto.
*Com informações da Dow Jones Newswires