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Confira o fechamento das Bolsas de NY, juros dos EUA e dólar hoje; bitcoin alcança os US$ 105 mil

Anúncios do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre tarifas ao México e Canadá impactaram os mercados

Por Matheus Andrade e Pedro Lima

30/01/2025 | 18:34 Atualização: 30/01/2025 | 18:34

 (Foto: Envato Elements)
(Foto: Envato Elements)

As bolsas de Nova York fecharam em alta nesta quinta-feira (30) após um dia de volatilidade. Os investidores de Wall Street tentaram recuperar as perdas registradas na sessão de quarta-feira (29), em reação à decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). O mercado também digeriu resultados díspares de grandes empresas de tecnologia, como Microsoft e Nvidia, enquanto aguardava balanços de outros gigantes do setor, que serão divulgados após o fechamento. A reta final da sessão também foi marcada por forte oscilação depois da confirmação da imposição de tarifas de 25% para México e Canadá a partir de sábado por Donald Trump. O bitcoin também avançou hoje, enquanto os títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano (Treasuries) caíram. O dólar, por sua vez, teve uma sessão volátil.

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O índice Dow Jones avançou 0,38%, a 44.882,13 pontos, o S&P 500 ganhou 0,53%, a 6.071,17 pontos, enquanto o Nasdaq teve alta de 0,25%, a 19.681,75 pontos, após inverter sinal no início da tarde e passar a registrar ganhos.

As ações da Microsoft recuaram 6,18%, apesar de a companhia ter apresentado números positivos. O movimento refletiu a preocupação dos investidores com os altos gastos da empresa em IA. Já a Tesla, que reportou dados negativos no quarto trimestre de 2024, avançou 2,84%, após Elon Musk afirmar que espera um crescimento de 20% a 30% para a companhia em 2025.

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Por sua vez, a Nvidia chegou a ceder mais de 3% ao longo da sessão, mas fechou o dia em alta de 0,98%, após anúncios de parceria da OpenAI com laboratórios americanos. Os papéis da Apple oscilaram entre territórios positivo e negativo, mas encerraram a sessão com queda de 0,75%, enquanto investidores aguardavam os resultados da empresa. A Intel, que também divulga seu balanço após o fechamento, registrou uma alta de 1,47%.

Por sua vez, a IBM subiu 12,96% após apresentar resultados trimestrais positivos. Apesar de apresentar números favoráveis, a Caterpillar perdeu 4,64% após prever uma redução nas vendas para 2025 em comparação com o ano passado. No setor aéreo, as ações da American Airlines cederam 2,48% após um acidente envolvendo um de seus aviões. Já a UPS recuou 14,11% após anunciar redução no volume de entregas em parceria com a Amazon, seu maior cliente, que também viu suas ações caírem 1,03% no dia.

Moedas globais: dólar opera sem sinal único

O dólar teve uma sessão volátil, seguindo a divulgação de uma série de indicadores da economia americana, incluindo o PIB do quarto trimestre. Por sua vez, ao final do pregão, a moeda ganhou impulso com os anúncios do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre tarifas ao México e ao Canadá, o que pesou na moeda de ambos os países, assim como na de outros potenciais alvos de taxação. Na Europa, uma série de dados de atividade também foi publicada, e o destaque na região foi o corte de juros em 25 pontos base (pb) pelo Banco Central Europeu (BCE). Movimentação de destaque teve o iene, que segue sua recuperação, diante de perspectivas de taxas mais altas por parte do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês).

O índice DXY, que mede a variação do dólar ante seis principais moedas, fechou em alta de 0,12%, a 108,000 pontos. Ao final do dia em Nova York, o dólar era cotado em queda a 154,32 ienes. A libra esterlina recuou a US$ 1,2433. O euro cedeu a US$ 1,0410.

O mercado teve forte reação ao anúncio de Trump de tarifas de 25% ao México e ao Canadá, que serão aplicadas a partir de sábado. Como resultado, moedas que vinham operando com valorização ante o dólar, como o euro e o peso mexicano, passaram a recuar. Pouco depois do final do pregão em Nova York, o dólar avançava mais de 1% em relação ao ativo mexicano, cotado a 20,7234 pesos Na visão do ING, o cenário americano deixa o mercado à procura de dois cortes de 25 pontos base este ano – um em junho e outro em dezembro – e aguardando os dados dos EUA e a história das tarifas para os próximos grandes sinais.

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“Os que são mais pacíficos em relação ao Federal Reserve (Fed) esperam amanhã dados mais fracos sobre a inflação do núcleo do PCE (talvez até uma leitura de 0,1% em termos mensais) e esperam revisões grandes e negativas do payroll no início do próximo mês para mudar a narrativa sobre um mercado de trabalho robusto nos EUA”, avalia. Já o BCE deve realizar mais três cortes de juros de 25 pb até o meio do ano, mas há argumentos a favor de uma pausa nas reduções, defende o Commerzbank. Segundo o banco alemão, o próximo corte provavelmente ocorrerá em março, quando o BC europeu publica suas projeções atualizadas para inflação e PIB.

O vice-presidente do BoJ, Ryozo Himino, voltou a afirmar nesta quinta-feira que deverá haver um novo aumento dos juro no país, caso os indicadores econômicos se desenvolvam como o esperado. Himino também disse que as condições monetárias ainda estão puxando a atividade econômica do Japão.

Treasuries: juros operam em baixa

Os juros dos Treasuries operaram em queda, seguindo a divulgação de uma série de indicadores da economia americana. Os dados ofereceram perspectivas de um cenário no qual o Federal Reserve (Fed) deverá seguir esperando para poder cortar taxas, diante de uma atividade que apresenta resiliência. O PIB do país no quarto trimestre avançou menos que o esperado, mas, ainda assim, mostrou sinais de que os consumidores americanos seguem impulsionados. Por sua vez, os rendimentos reduziram suas quedas ao fim da sessão, seguindo o anúncio de tarifas de 25% a México e Canadá pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a partir do próximo sábado.

No fim da tarde, perto do horário de fechamento da Bolsa de Nova York, o retorno da T-note de 2 anos tinha baixa a 4,203%. O rendimento de 10 anos recua a 4,522%. O juro do T-bond de 30 anos cai a 4,773%.

De acordo com o CIBC Economics, o PCE, que é a mediada de inflação preferida do Fed, mostrou uma força do consumidor e dá confiança ao presidente do BC dos EUA, Jerome Powell, de que a economia americana pode suportar riscos que surgem com mudanças na política comercial e de imigração. “Os dados de hoje reforçarão a convicção do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) de permanecer em espera até que tenham mais clareza sobre o progresso da inflação e as especificidades das políticas da nova administração. Segundo a ferramenta de monitoramento do CME Group, as chances mostravam junho com a maior probabilidade para que o Fed corte os juros em 25 pb.

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Para o High Frequency Economics, os dados americanos mostram que o Fed não deve ter pressa para realizar reduções das taxas de juros. A instituição, no entanto, ressalta que as notícias são favoráveis para os traders de títulos, já que a desaceleração do crescimento com inflação lenta e desacelerada pode prenunciar condições monetárias mais fáceis no futuro.

A Capital Economics não vê espaço para o Fed flexibilizar muito mais a política neste ano. A consultoria suspeita que a janela de afrouxamento fechará nos próximos meses, “se estivermos certos de que uma enxurrada de tarifas no segundo semestre empurrará a inflação de volta para 3%”. Desta forma, a previsão para a trajetória dos Fed funds está amplamente em linha com a precificada nos mercados monetários. “Por sua vez, prevemos que o rendimento do Tesouro a 10 anos termine o ano em 4,5%, aproximadamente onde se encontra agora”, conclui.

Bitcoin avança

O bitcoin operava em alta no fim desta tarde, impulsionado pela declaração do Federal Reserve (Fed) de que os bancos dos Estados Unidos estão preparados para atender clientes do setor de criptomoedas, reforçando um ambiente favorável para os ativos digitais no país. No entanto, pontuam analistas, ganhos mais expressivos foram limitados por sinalizações de postura mais cautelosa do Fed em relação a futuros cortes de juros.

Pouco antes das 17h (de Brasília), o bitcoin avançava 2,20%, a US$ 105.723,60, segundo a Binance. Já o ethereum tinha alta de 4,92%, a US$ 3.271,64.

Nos últimos meses, os preços das criptomoedas têm sido alavancados com o posicionamento favorável do presidente dos EUA, Donald Trump, ao mercado de ativos digitais. No entanto, investidores circulam que o republicano ainda não atendeu às expectativas do setor com a criação de uma reserva estratégica de bitcoins, por exemplo.

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Joel Kruger, estrategista do LMAX Group, diz que a declaração favorável do Fed às criptomoedas representa uma “mudança significativa no tom e no posicionamento” da instituição. O analista também aponta que o mercado de cripto ganhou leve tração, por ora, com indicativo de mais cortes nos juros, mesmo que de forma mais desacelerada. Segundo ele, o enfraquecimento do dólar aumentou a demanda por criptomoedas, à medida que os diferenciais de rendimento se tornaram menos favoráveis à moeda americana.

A analista técnica da Ripio, Ana de Mattos, pondera que o bitcoin enfrenta uma resistência de curto prazo na faixa dos US$ 105.595, nível que precisa ser superado com forte pressão compradora para que o movimento de alta se sustente. Para ela, caso essa barreira seja rompida, o próximo alvo da criptomoeda está na região de liquidez dos US$ 107.900.

Já o ethereum enfrenta resistências nas faixas de US$ 3.300 e US$ 3.640 caso o movimento de alta se mantenha com fluxo comprador, segundo a Ripio. Por outro lado, se houver pressão vendedora revertendo a tendência, os suportes de curto e médio prazo estão nas regiões de liquidez de US$ 3.054 e US$ 2.900.

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