

As bolsas de Nova York encerraram o pregão desta quarta-feira (2) em alta, impulsionadas pelos setores de tecnologia e consumo discricionário, momentos antes do anúncio do tarifaço do presidente Donald Trump. Investidores tentavam conciliar expectativas sobre os possíveis efeitos deletérios da nova rodada de tarifas e os sinais de força da economia americana, vistos em indicadores divulgados pela manhã. Os títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano (Treasuries) também subiram, enquanto o dólar recuou hoje.
O Dow Jones avançou 0,56%, fechando a 42.225,32 pontos, enquanto o S&P 500 subiu 0,67%, para 5.670,97 pontos. Já o Nasdaq avançou 0,87%, para 17.601,05 pontos, conforme dados preliminares.
As bolsas de Nova York abriram em forte baixa e reduziram as perdas pela manhã, com os dados melhores que o esperado sobre a criação de empregos e encomendas à indústria americana. No início da tarde, os índices de ações ganharam impulso e viraram para o positivo com os setores financeiro e de serviços básicos puxando os negócios.
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As ações da Tesla também inverteram a tendência de queda e fecharam em alta de 5,3% após o site Politico afirmar que Elon Musk, CEO da fabricante de veículos elétricos, planeja deixar o Departamento de Eficiência Governamental (Doge, na sigla em inglês) nas próximas semanas. Pela manhã, a Tesla recuava de forma acentuada com a divulgação de um relatório trimestral de entregas bem abaixo do esperado. A empresa entregou 336.681 veículos no primeiro trimestre, uma queda de 13% em relação ao ano anterior.
A Rivian Automotive caiu 5,9% depois que a montadora de veículos elétricos anunciou a entrega de 8.640 veículos no primeiro trimestre, uma queda de 36% em relação ao ano anterior, mas em linha com as estimativas da empresa e de Wall Street.
A Trump Media & Technology Group despencou 5,7% com a informação de que a empresa entrou com um pedido na Comissão de Valores Mobiliários (SEC, na sigla em inglês) para permitir que um fundo administrado por Donald Trump venda cerca de US$ 2,3 bilhões em ações do grupo. A empresa destacou, entretanto, que não há planos imediatos para essa venda.
Juros dos EUA se recuperam
Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos se recuperam com aproximação do tarifaço do presidente Donald Trump e chegaram ao fim da tarde desta terça-feira em alta. Depois de abrirem em queda, o mercado de títulos da dívida acompanhou a recuperação das bolsas de Nova York ao longo da sessão, indicando que os investidores estavam dispostos a assumir algum risco antes do anúncio das chamadas tarifas recíprocas. P
Por volta das 17h00 (horário de Brasília), juro da T-note de 2 anos subia a 3,908%. O rendimento do título de 10 anos avançava a 4,183%, enquanto a taxa do T-bond de 30 anos subia para 4,531%.
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Dados divulgados pela manhã aliviaram alguns temores de recessão na economia americana. O relatório de empregos da ADP para março veio acima do esperado, assim como o crescimento dos pedidos à indústria em fevereiro. Em relação às tarifas, Wall Street espera que o anúncio ao menos traga alguma clareza, mesmo com os investidores se preparando para um possível aumento nos preços ao consumidor e um obstáculo para o crescimento econômico. “É difícil dizer se há uma expectativa de consenso em relação aos anúncios tarifários do chamado Dia de Libertação, mas suspeitamos que haja uma inclinação para um resultado mais agressivo por parte de Trump, mesmo que pareça improvável que o regime de tarifas recíprocas mantenha o mesmo formato nas próximas semanas e meses”, afirmam em nota os estrategistas de renda fixa do BMO Capital Markets, Vail Hartman e Ian Lyngen.
“Embora as revelações tarifárias de hoje possam fornecer mais clareza para os investidores avaliarem os impactos econômicos das tentativas de Trump de reestruturar o comércio global, seus desdobramentos dificilmente trarão algo definitivo”, afirmam Hartman e Lyngen. “Medidas retaliatórias por parte dos parceiros comerciais dos EUA são praticamente inevitáveis, e essa série de anúncios tarifários deve continuar por tempo indeterminado.”
“Como resultado, a incerteza e a volatilidade elevadas devem se tornar características permanentes no mercado de taxas de juros dos EUA”, eles concluem, acrescentando que “o desfecho vai muito além das implicações para a taxa média efetiva de tarifas dos EUA” e que o grau percebido de leniência será tão importante quanto – se não mais – do que as tarifas anunciadas”.
Moedas Globais: dólar perde força
O dólar operava enfraquecido ante outras moedas de economias desenvolvidas nesta quarta-feira, enquanto investidores aguardavam o anúncio de novas tarifas comerciais nos EUA. Segundo o Swissquote, eventuais retaliações por parte de parceiros comerciais americanos podem intensificar a pressão de venda sobre a divisa, ampliando o temor de esfriamento da economia americana.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, recuava 0,43%, para 103,807 pontos. O dólar avançava para 150,06 ienes, enquanto o euro subia para US$ 1,0853 e a libra esterlina avançava a US$ 1,2985.
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A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, alertou que as tarifas terão efeitos negativos globais, enquanto defendeu a união da Europa. Líderes do Reino Unido, Itália e Coreia do Sul prometeram responder às medidas dos EUA, enquanto o Canadá sinalizou estar aberto a renegociar os termos tarifários. O presidente do Banco do Japão (BoJ), Kazuo Ueda, destacou a incerteza sobre os impactos dessas políticas.
Para Jane Foley, do Rabobank, o status do dólar como moeda de reserva global pode ser ameaçado a longo prazo pelo protecionismo econômico da gestão Trump. O mercado também monitora os efeitos das tarifas na economia americana. “Mesmo que a guerra comercial termine, os EUA ainda enfrentarão cortes nos gastos públicos e impactos no emprego. O país já apresentou 135 queixas na OMC e é alvo de 168 casos. Isso pode levar a retaliações”, diz Ethan Harris, do Bank of America.
Os movimentos do dólar canadense e de moedas sensíveis ao risco, como o dólar australiano e a coroa norueguesa, indicam que os mercados ainda estão complacentes em relação às tarifas, segundo Derek Halpenny, do MUFG Bank.
Já a libra esterlina pode se valorizar frente ao euro no curto prazo, pois o Reino Unido está menos exposto às tarifas dos EUA do que a União Europeia, afirma Francesco Pesole, do ING.
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O Barclays alerta que, embora nenhum país asiático tenha manipulado sua moeda em 2023, os EUA podem questionar políticas cambiais da região. A compra de dólares na Ásia aumentou com a fraqueza da moeda em fevereiro e março, e intervenções para evitar a valorização das moedas locais podem levar à designação de manipuladores cambiais. Tailândia, Coreia do Sul, Taiwan e Japão estão em risco, o que pode servir de justificativa para tarifas dos EUA.
* Com informações da Dow Jones Newswires