O índice DXY, que mede a variação do dólar ante seis principais moedas, fechou em baixa de 0,09%, a 107,341 pontos. O dólar era cotado em queda a 154,68 ienes. A libra esterlina avançou a US$ 1,2491. O euro ficou estável a US$ 1,0492. O dólar avançou a 20,7029 pesos mexicanos.
O iene e o franco suíço apresentam desempenho claramente superior na sessão, aponta o ING. “Provavelmente, a maior questão para o mercado cambial a partir dos desenvolvimentos de hoje é se a correção se revela suficientemente significativa para alterar substancialmente os preços de mercado do ciclo de flexibilização do Fed, como no caso de a correção do Nasdaq ser suficientemente grande para fazer com que as expectativas de relaxamento do Fed se deslocassem para 75 pontos base este ano”, projeta.
O Wells Fargo mantém a perspectiva para a força do dólar durante a maior parte de 2025 e 2026. “O desempenho econômico superior dos EUA e um Fed menos pacífico deverão apoiar o dólar face à maioria das moedas do G10. Os rendimentos mais elevados dos EUA, as incertezas relacionadas com as tarifas e o abrandamento do sentimento em relação à China são fatores que deverão contribuir para as pressões de depreciação sobre as moedas emergentes”, avalia.
A tendência está crescendo entre os assessores do presidente de Trump para impor tarifas de 25% ao México e Canadá já neste sábado, contrariando a expectativa convencional em Washington e em Wall Street de que ele recuaria nas taxas ameaçadas em troca de concessões, como fez no passado. No domingo, Trump anunciou que imporia tarifas “emergenciais” de 25% à Colômbia por causa de sua recusa em aceitar voos de repatriação dos EUA. Um alto funcionário do governo disse ao Wall Street Journal que a decisão prova que Trump vê as tarifas como uma “ferramenta de negociação” e “punição eficaz” para nações que não seguem sua agenda.
Ao final da sessão, o dólar se valorizava a 4.192,09 pesos colombianos. O Reserve Bank of India (RBI), como é conhecido o BC indiano, anunciou hoje uma série de medidas para injetar liquidez no sistema bancário local, após o setor atingir o maior déficit de liquidez dos últimos 15 anos. A iniciativa também ocorre depois de reunião do BC com economistas indianos, que expressaram preocupação sobre o ritmo da flexibilização da política monetária. Ao final da tarde, o dólar se valorizava a 86,3840 rupias.
Juros dos EUA recuam
Os juros dos Treasuries recuaram, em meio a uma fuga global de riscos desencadeada pela DeepSeek – startup chinesa que produziu modelo de inteligência artificial (IA) avançado com custos inferiores aos da concorrência – desencadeando uma liquidação nas ações de tecnologia ao redor do mundo e provocando queda de mais de 3% no índice Nasdaq nesta sessão. A alta demanda pelos títulos do Tesouro americano fez com que as taxas de rendimento despencassem ao longo do dia.
No fim da tarde, perto do horário de fechamento da Bolsa de Nova York, o retorno da T-note de 2 anos tinha baixa a 4,195%. O rendimento de 10 anos estava caindo a 4,529%. O juro do T-bond de 30 anos recuava a 4,767%.
A BMO Capital Markets atribuiu a queda de hoje nos rendimentos dos Treasuries a uma “fuga para a qualidade” dos ativos de segurança, impulsionada pela pressão sobre o setor de tecnologia das bolsas de Nova York e incertezas no mercado de ações. Com o aumento da volatilidade, afirma a BMO, os investidores buscaram refúgio nos títulos do Tesouro, resultando em uma queda nos rendimentos de 10 anos abaixo de 4,55%.
A BMO destaca que esse movimento reflete mais uma reação a riscos no mercado de ações do que propriamente a uma mudança nas políticas monetárias dos Estados Unidos. A instituição também sugere que o comportamento dos investidores pode ser uma antecipação de uma política monetária mais dovish, especialmente em um cenário onde os cortes de taxas pelo Federal Reserve (Fed) podem ocorrer mais adiante.
O ING destaca que os rendimentos dos Treasuries podem sofrer uma queda significativa se o mercado de ações continuar a sofrer perdas por várias semanas. “Até agora, estamos vendo um movimento de um dia, então isso ainda precisa ser observado”, alerta o banco holandês. Nesta semana, os investidores acompanham as decisões de política monetária do Fed e do Banco Central Europeu (BCE). Mesmo sem expectativas por alterações nos juros nos EUA, o mercado aguarda pelos comentários do presidente da instituição, Jerome Powell, em coletiva de imprensa após o encerramento da reunião.
Bitcoin recua
O bitcoin operava em forte queda no fim da tarde, acompanhando a liquidação de ações de tecnologia em Nova York após o lançamento de uma inteligência artificial (IA) de baixo custo pela startup chinesa DeepSeek. Além disso, a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) manterá as taxas de juros elevadas por mais tempo também pesou sobre as criptomoedas.
O bitcoin recuava 5,23%, a US$ 99.581,52, às 16h47 (de Brasília), segundo a Binance. Já o ethereum tinha queda de 7,85%, a US$ 3.073,01.
Para Geoffrey Kendrick, do Standard Chartered, a desvalorização do bitcoin foi impulsionada pelo pregão negativo de Nasdaq, composto por ações de tecnologia, e pela preocupação com o impacto do modelo de IA da DeepSeek. Para ele, essa queda reflete a “relação crescente entre os ativos digitais e o setor de tecnologia”. Ele acrescenta que a decepção da semana passada, com ordens executivas do presidente dos EUA, Donald Trump, sem atender às expectativas do mercado em relação a uma possível reserva estratégica de bitcoin no país, também contribuiu para o movimento.
Segundo a analista técnica da Ripio Ana de Mattos, o movimento de queda do bitcoin reflete um alto volume financeiro no gráfico diário, sugerindo que a desvalorização do ativo pode persistir. Para o curto e médio prazo, de acordo com Mattos, os suportes do bitcoin estão localizados em US$ 92.400 e US$ 87.500, enquanto as resistências estão nas faixas de US$ 102.500 e US$ 104.900.
A analista da Ripio acrescenta que o preço do ethereum testou o suporte de US$ 3.100, mas a forte pressão vendedora sugere que a queda no valor pode continuar. Sem um fluxo comprador, o ethereum pode buscar suportes em US$ 2.900 e US$ 2.860, com resistências em US$ 3.300 e US$ 3.640, avalia Mattos.
*Com informações da Dow Jones Newswires