A Fitch Ratings projeta o Brent a US$ 63 o barril em 2026 e avalia que o excesso de oferta global tende a conter o prêmio de risco geopolítico no mercado de petróleo. (Imagem: Adobe Stock)
Mesmo com a volatilidade recente dos preços, o prêmio de risco geopolítico no petróleo tende a continuar limitado por um mercado global amplamente abastecido, afirma a Fitch Ratings. Em relatório, a agência prevê que eventuais interrupções no fornecimento iraniano – hoje responsável por 3,5 milhões de barris por dia (bpd), dos quais 2 milhões exportados – seriam absorvidas sem grande impacto de preços graças ao excesso de oferta.
Para 2026, a Fitch projeta o Brent a US$ 63 o barril e mantém seus ratings corporativos ancorados em um preço de médio ciclo de US$ 60. A dinâmica que sustenta essa visão é clara: após um aumento já estimado de 3 milhões bpd em 2025, a oferta global deve crescer mais 2,5 milhões bpd em 2026, enquanto a demanda avançará apenas 800 mil bpd ao ano.
Nesse cenário, o posicionamento futuro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) será decisivo, ressalta a análise. Até aqui, a estratégia do cartel de restringir produção para sustentar preços perde força diante da entrada de barris norte-americanos, brasileiros e de outras regiões não integrantes do grupo.
A Venezuela, recém-autorizada a elevar embarques pelos Estados Unidos, ilustra o desafio. O país poderia recuperar, no melhor dos casos, a produção de 2,5 milhões bpd registrada em 2010, mas isso exigiria investimentos bilionários para modernizar a infraestrutura sucateada e tratar reservas de petróleo extra pesado. No curto prazo, portanto, qualquer acréscimo venezuelano será modesto, diz a Fitch.
Quanto ao Irã, novas sanções americanas de novembro miraram redes de comercialização e transporte, mas a produção segue estável.
Em síntese, a “combinação de oferta folgada, expansão moderada da demanda e riscos políticos pontuais confirma a leitura de preços controlados para os próximos anos”, acrescenta.