

Inicialmente esperada para este mês, a saída da Gol (GOLL4) da recuperação judicial nos Estados Unidos deve ocorrer apenas em junho ou julho. “Gostaríamos que fosse mais rápido, mas a verdade é que as negociações tomam tempo. Antes, pensávamos que poderia ser em abril ou maio. Hoje, pensamos que provavelmente vai ser em junho ou julho”, disse o diretor financeiro da Abra (holding que controla a Gol e a Avianca), Manuel Irarrázaval, em entrevista ao Estadão/Broadcast.
A audiência de confirmação do plano de reestruturação financeira da Gol está marcada para 20 de maio. Na ocasião, o juiz da Corte de Falências de Nova York – onde o processo corre – vai dizer se concorda ou não com a proposta da companhia aérea para sair do Chapter 11, o equivalente à recuperação judicial nos EUA. Anteriormente, essa audiência estava prevista para abril.
O plano de reestruturação da Gol prevê um financiamento de US$ 1,9 bilhão (R$ 10,8 bilhões). Desse total, a companhia afirma já ter levantado US$ 1,25 bilhão (R$ 7,1 bilhões) com investidores, com as gestoras Castlelake e Elliot como âncoras.
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De acordo com Irarrázaval, apesar de o cenário financeiro internacional ser de incerteza a captação extra dos US$ 650 milhões (R$ 3,7 bilhões) não é o motivo por trás do atraso no fim do processo. “Estamos certos de que isso não será um problema. A questão é ter uma boa negociação. (O atraso) Tem a ver com as negociações com as distintas partes. Temos de chegar a um acordo com cada um dos representantes dos diferentes credores. E há negociações que ainda estão em curso.”
Irarrázaval reconheceu, porém, que as condições do mercado financeiro – com muita incerteza nos EUA – não são as mais favoráveis para levantar capital. A desvalorização do real no fim do ano passado também foi um empecilho nas negociações, disse. “Obviamente, as circunstâncias de mercado foram mais voláteis do que se esperava. No entanto, ter conseguido dois investidores como âncoras foi muito importante. Em vez de ter de sair para buscar US$ 1,9 bilhão, só temos de sair para buscar US$ 650 milhões. A questão é negociar a melhor taxa.”
Fusão da Azul (AZUL4) com a Gol (GOLL4)
O plano de reestruturação da Gol também contempla uma potencial fusão com a Azul. Em janeiro, a Abra e a Azul firmaram um memorando de entendimento com o objetivo de “explorar uma combinação de negócios das duas companhias aéreas no Brasil”.
Irarrázaval afirmou que, nos últimos dois meses, as empresas entregaram informações de suas operações ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O órgão foi pré-notificado da intenção de fusão ainda em janeiro. A notificação oficial deve ocorrer antes do fim do Chapter 11, diz o executivo. Depois disso, o Cade terá 330 dias para analisar o negócio. “Não faremos nada para acelerar o processo. A sobreposição (de rotas) entre as duas empresas não é tão significativa. Elas são muito complementares. Estamos confiantes.”
Em relação aos preços das passagens, que poderiam aumentar devido à menor concorrência decorrente da união entre Azul e Gol, Irarrázaval destacou que outros elementos além da competição entre companhias interferem no valor das tarifas, citando combustível e tarifas de aeroportos.
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Do total de recursos que serão levantados até o fim do Chapter 11, a Gol (GOLL4) pretende usar cerca de US$ 1,2 bilhão (R$ 6,8 bilhões) para pagar um empréstimo que tem garantia de recebimento antecipado (o chamado DIP). O restante dos recursos deverá garantir liquidez para a companhia pelos próximos dois ou três anos, segundo o executivo.