“Um dos principais debates em nossas conversas recentes com investidores está relacionado às condições climáticas severas observadas ultimamente no Brasil, em parte devido ao fenômeno El Niño e aos possíveis impactos para as safras de soja e milho em 2024″, dizem os analistas Bruno Amorim, João Frizo e Guilherme Martins.
As razões apontadas pelo banco para o rebaixamento são: “acreditamos que os preços do frete podem estar atingindo o pico após alguns anos fortes; esperamos uma safra fraca (e ainda incerta) em 2024, o que poderia colocar a Rumo em um ambiente de receita unitária mais fraca durante as negociações de preços de 2025 que ocorrerão em meados de 2024; estamos atualmente em linha com o consenso para o Ebitda de 2024, mas 9% abaixo do Ebitda esperado para 2025 quando modelamos para preços de frete estáveis em termos nominais ano contra ano (-4% em termos reais) após um aumento de +51% esperado para 2024 ante 2021; e as taxas livres de risco no Brasil já se contraíram significativamente desde o final de 2022 (-210 pontos-base), o que também limita o espaço para uma maior compressão no custo de capital, o que é particularmente relevante para ações de infraestrutura”.
O Goldman vê a Rumo sendo negociada a 8,2 vezes o múltiplo EV/Ebitda em 2024 (contra 9 vezes a média histórica), o que limita o espaço para uma reavaliação significativa, especialmente em um ambiente tão incerto, afirma a casa. “Desde que foi adicionada à nossa lista de compra em 19 de abril de 2022, a ação subiu 29% contra um aumento de 14% do Ibovespa”, cita.
O banco considera a Rumo bem posicionada para aumentar os preços de frete acima da inflação nos anos seguintes, dados os níveis então crescentes e altos dos preços de frete de caminhões. “Essa recuperação já ocorreu e a perspectiva incerta do tamanho da safra deste ano cria um risco de queda para a negociação de preços da Rumo em 2025, que provavelmente ocorrerá em meados de 2024.
Depois de atingir a maior diferença em relação aos preços de soluções logísticas alternativas em 2022, a Rumo vem apresentando uma melhora consistente no rendimento (para 2024, destacamos que a empresa já vendeu a maior parte de seus volumes a preços atraentes, empurrando a eventual desvantagem para os ganhos do próximo ano)”, finalizam os analistas.