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O impacto da guerra comercial no apetite por ativos emergentes, segundo o FMI

Segundo relatório, a emissão de dívida pode ser ameaçada caso as condições financeiras continuem a se agravar

Por Aline Bronzati, enviada especial

22/04/2025 | 14:50 Atualização: 22/04/2025 | 14:50

Os principais assuntos do mercado financeiro  e Ibovespa hoje (Foto: Adobe Stock)
Os principais assuntos do mercado financeiro e Ibovespa hoje (Foto: Adobe Stock)

Quanto mais tempo durar a volatilidade gerada pela guerra tarifária, mais contido será o apetite de investidores globais por ativos de mercados emergentes, grupo do qual o Brasil faz parte. O alerta é do Fundo Monetário Internacional (FMI), em seu Relatório de Estabilidade Financeira Global (GFSR), publicado nesta terça-feira (22), às margens das reuniões de Primavera, que acontecem em Washington, nos Estados Unidos.

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“A emissão de dívida de governos e empresas (de países emergentes) pode ser ameaçada caso as condições financeiras continuem a se agravar”, dizem os autores, no documento, lembrando que um menor apetite estrangeiro pode ocorrer justamente em um momento que os países emergentes necessitam emitir mais dívida para suportar ações fiscais que minimizem os efeitos das tarifas em suas economias.

Segundo o Fundo, a escalada das tensões comerciais globais teve um “impacto significativo” sobre os ativos dos mercados emergentes no início de abril. As bolsas de valores desses países como, por exemplo, do Brasil amargaram perdas diante dos temores dos impactos que uma guerra comercial global teria sobre a economia mundial.

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As tarifas pesam sobre as perspectivas de crescimento dos mercados emergentes e impactam os preços das ações ao reduzirem os volumes de comércio ou elevarem a incerteza para consumidores e empresas, explica o FMI. Os efeitos são maiores para os países diretamente afetados pelos anúncios de tarifas de 2 de abril, batizado como o ‘Dia da Libertação’, bem como para os exportadores de commodities, diz o organismo.

O Brasil é afetado nas duas pontas. Primeiro, foi taxado com uma tarifa recíproca de 10% pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em segundo lugar, é um grande exportador de commodities. Além disso, especialistas têm alertado para os reflexos de uma desaceleração global na atividade econômica doméstica, com bancos e o próprio FMI revisando as perspectivas de crescimento do País para baixo neste e no próximo ano.

O FMI destaca que, mesmo antes da taxação de Trump, os fundos de ativos de mercados emergentes têm registrado saídas persistentes nos últimos anos. O volume de fluxo que tem deixado esses países tem crescido desde meados de 2024, mostra a análise. “Os mercados emergentes têm enfrentado um longo período de fluxos de carteira mornos”, diz o organismo.

De acordo com o relatório, o fortalecimento do dólar perante moedas emergentes, tanto em cenários positivos da economia global, quanto em momentos mais difíceis, juntamente com o aumento da volatilidade nos mercados de câmbio, tornou a classe de ativos “menos atraente”.

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Além disso, após o forte interesse de investidores estrangeiros na esteira da crise financeira global, o apetite por títulos de dívida de países emergentes “estagnou” em meio ao desempenho abaixo do esperado dessa classe de ativos na última década. “O menor interesse de investidores estrangeiros pode representar desafios para mercados emergentes mais fracos, que não possuem as necessárias proteções internas”, alerta.

Por fim, o FMI recomenda que os mercados emergentes trabalhem para desenvolver o seu mercado doméstico de títulos de dívida de governos. “O aumento da demanda por títulos por parte de investidores domésticos de longo prazo ajudou a conter os custos de financiamento e as pressões externas nos últimos anos”, diz Tobias Adrian, diretor do Departamento de Mercado Monetário e de Capitais do FMI e um dos autores do estudo.

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