O Ibovespa opera desde os primeiros minutos do pregão desta sexta-feira, 9, em território de “bull market” (mercado de alta), na esteira do otimismo com o corte de juros no Brasil, a pausa do aperto do Federal Reserve e a expectativa com estímulos econômicos na China. O “bull market” é considerado quando um determinado índice ou preço de ativo ultrapassa a valorização de 20% do seu mais recente piso.
No caso do Ibovespa, o piso foram os 96.996,84 pontos vistos em 23 de março – dia seguinte à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em que o Banco Central endureceu o tom em relação à desancoragem das expectativas e foi alvo de críticas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Na cena externa, havia dúvidas quanto à capacidade de solvência de bancos médios americanos, na esteira das crises do Silicon Valley Bank e do First Republic Bank. A situação que se desenha neste momento é um tanto diferente.
Se naquela ocasião a tensão entre o BC e o governo fez o mercado reduzir a aposta em cortes mais robustos de juros (com Selic na curva em 12,50% no encerramento de 2023), agora a curva projeta algo mais próximo de 12% diante da desinflação mais forte e melhora de humor dos agentes depois da aprovação robusta do arcabouço fiscal na Câmara. Nos departamentos econômicos, há casas que veem chance de taxa em 11,75% este ano e até abaixo de dois dígitos no ano que vem, embora não seja o consenso.
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“Com a inflação mais controlada e atividade econômica ainda firme, investidores se animam com a possibilidade de um início antecipado do ciclo de corte de juros pelo Banco Central. Lá fora, dados econômicos mais fracos que o esperado continuam levantando preocupações sobre a recuperação da China. Além disso, o sentimento de cautela toma conta dos mercados nos EUA, que estão de olho na decisão da taxa de juros americana na próxima semana”, destaca a Rico em nota.
Também no exterior o cenário está mais benigno. Espera-se uma pausa do aperto do Fed na semana que vem e a crise bancária foi arrefecida com medidas do Fed. O Programa de Financiamento a Prazo dos Bancos (BTFP, na sigla em inglês), lançado em março, emprestou na semana passada US$ 100,16 bilhões a instituições. A linha de emergência serve como uma fonte adicional de liquidez, eliminando a necessidade de uma instituição de vender rapidamente títulos de qualidade em momentos de estresse.
Tal cenário fez ontem o índice S&P 500 também entrar em “bull market”. “Depois que um mercado em alta é confirmado, os retornos futuros têm sido historicamente fortes”, nota o estrategista da LPL Financial Research Adam Turnquist, em relatório. “Os touros estão de volta à cidade”, brinca.