A valorização do principal índice da B3 futuro acompanha a pesquisa eleitoral AtlasIntel, mostrando redução entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a corrida à Presidência da República em 2026.
“Hoje é um dia complexo. O cenário eleitoral pode, não acho que deva, fazer preço sim. Quanto mais diminuir a diferença entre Lula e Flávio, Lula e Tarcísio no cenário hipotético, Lula e Michele, não importa. O mercado quer ver o Lula fora da disputa”, diz Felipe Sant’ Anna, especialista em mercado financeiro do grupo Axia.
O Índice Bovespa pode se beneficiar da correção de alta em Nova York, após renovar recorde na sessão anterior. A queda dos rendimentos dos títulos japoneses e dos Treasuries (títulos da dívida estadunidense) americanos também tende a aliviar os ajustes na curva de juros, em um dia de agenda doméstica enxuta.
Entre os indicadores, estão previstos a prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de janeiro, o monitor do Produto Interno Bruto (PIB) de novembro e o fluxo cambial semanal na sessão.
Por outro lado, as perdas do petróleo e do minério de ferro na China atuam como contraponto e devem limitar o desempenho da taxa de câmbio, que vem sendo favorecida pelo carry trade no Brasil, isto é, o mecanismo utilizado para tentar obter lucros com base na diferença entre a taxa de juros de dois países. Após a abertura, o dólar hoje cedia 0,39%, a R$ 5,35 na venda.
Ibovespa futuro: os destaques do mercado de ações nesta quarta-feira (21)
Trump em Davos e julgamento no Fed guiam mercados
Foco exterior na sessão recai sobre o presidente dos EUA, Donald Trump, que discursará no Fórum Econômico Mundial em Davos, além de realizar reuniões ao longo do dia com diversos líderes globais e empresariais.
Fala ocorre em meio a provocações do republicano de anexação americana da Groenlândia, um território autônomo pertencente à Dinamarca, e ameaças de imposição de tarifas a oito países europeus como forma para pressionar por acordo.
Na agenda, outro destaque é a audiência da Suprema Corte dos EUA para ouvir argumentos sobre tentativa de destituir a diretora do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) Lisa Cook, um desdobramento que pode ter implicações sobre a percepção de independência do BC americano.
Galípolo se reúne com TCU em meio à análise do caso Master
O encontro do presidente do BC, Galípolo, hoje com Jorge Oliveira, do TCU, acontece em meio à análise, na Corte de Contas, da legalidade da liquidação do Banco Master, realizada em novembro de 2025.
No cenário institucional, o ministro Jhonatan de Jesus (TCU) concedeu ao Banco Central acesso a um segundo processo relacionado ao Banco Master, após pressão pública. O BC solicitava o acesso desde novembro, enquanto advogados do banqueiro Daniel Vorcaro já atuavam como parte interessada.
Além disso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli determinou a reserva de salas e servidores da Corte para a realização de depoimentos ligados à investigação sobre o Banco Master, após a Polícia Federal marcar novas datas de oitivas no inquérito sigiloso sob sua relatoria.
Lula segue na liderança em todos os cenários para presidente
O presidente Lula segue como melhor colocado nos cenários projetados pela pesquisa AtlasIntel, divulgada nesta quarta-feira, para o primeiro turno das eleições 2026. Em comparação à versão divulgada em dezembro, houve maior oscilação no cenário de uma eventual disputa entre o chefe do Executivo e o senador Flávio Bolsonaro (PL), sem participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Lula tem 48,8% dos votos – eram 48,1% em dezembro de 2025, um crescimento de 0,7 ponto percentual – e Flávio 35% – eram 29,3% no mês passado, um aumento de 5,7 pontos percentuais.
O instituto entrevistou 5.418 pessoas, virtualmente, entre 15 e 20 de janeiro. A margem de erro da pesquisa é de 1 p.p. para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. O registro no Tribunal Superiro Eleitoral (TSE) é BR-02804/2026.
Esses e outros dados do dia ficam no radar de investidores e podem impactar as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa futuro.
*Com informações de Maria Regina Silva, Silvana Rocha, Luciana Xavier Pepita Ortega e Gabriel de Sousa, do Broadcast