Os mercados globais operam em direções contrárias nesta manhã enquanto os investidores aguardam a divulgação do payroll e monitoram o noticiário acerca do fiscal no Brasil. As commodities, por sua vez, não oferecem respaldo para recuperação do principal índice da B3 hoje.
“Cabe destacar que, além do payroll, é importante avaliar a dinâmica da taxa de desemprego e dos salários, que também devem repercutir, assim como o índice de confiança do consumidor que sai mais tarde”, alerta Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria, em relatório.
O que movimenta o Ibovespa hoje
Bolsas internacionais
Os mercados globais estão em compasso de espera pelo dado de emprego nos Estados Unidos. No início da manhã, os futuros de Nova York caíam, mas as bolsas europeias subiam.
A bolsa de Paris mostrava alta superior a 1% e baixa dos juros dos título da dívida da França de 10 anos diante da promessa do presidente do país, Emmanuel Macron, de indicar um novo primeiro-ministro em breve, após o parlamento derrubar Michel Barnier.
Na Alemanha, os ganhos da bolsa de Frankfurt são modestos após a produção industrial cair e frustrar as expectativas de alta.
Mais cedo, o dólar caiu abaixo de 100 rublos russos, após decreto do presidente Vladimir Putin que elimina a opção para que compradores do gás do país convertam a moeda estrangeira em rublos no Gazprombank.
Bitcoin
O bitcoin tem forte queda acima de 4% e perde a marca de US$ 100 mil, em correção após a vertiginosa escalada recente. Veja nesta reportagem o que dizem especialistas sobre a operação do bitcoin.
Nas mínimas mais cedo, a criptomoeda chegou a tocar US$ 94 mil, enquanto investidores avaliam a sustentabilidade do rali, que reflete o entusiasmo com o governo do presidente eleito dos EUA, Donald Trump. O republicano anunciou o investidor de venture capital David O. Sacks ao novo cargo de czar de inteligência artificial (IA) e cripto da Casa Branca.
Payroll
O relatório de emprego dos Estados Unidos pode mostrar criação de 200 mil vagas, com forte recuperação após os 12 mil postos criados em outubro. A confirmação de um número mais forte ajuda a guiar as apostas para a decisão do Fed do próximo dia 18 e pode esfriar as chances para o ciclo de cortes de juros.
IGP-DI
O IGP-DI registrou alta de 1,18% em novembro, após elevação de 1,54% em outubro, divulgou a Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado do indicador superou a mediana das previsões do mercado financeiro colhidas pelo Projeções Broadcast, que apontava alta de 1,06%. Com o resultado, o IGP-DI acumulou uma alta de 5,94% no ano. Em 12 meses, houve avanço acumulado de 6,62%.
Segundo o economista do FGV IBRE, Matheus Dias, a desaceleração do Índice está ligada principalmente à redução no preço da tarifa de energia ao consumidor final e uma alta mais leve nos preços das commodities agrícolas.
“O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) registrou alta menos intensa em relação a outubro, sendo influenciado pela desaceleração das commodities agrícolas. Pelo lado do consumidor, a queda observada foi impactada pela tarifa de eletricidade residencial, que teve a adoção da bandeira tarifária amarela”, disse Dias no documento que acompanha a divulgação do IGP-DI. Conforme noticiado pelo Broadcast, o IPA teve alta de 1,66% em novembro, ante 2,01% em outubro.
Commodities
As commodities não oferecem respaldo para recuperação dos ativos no Índice Bovespa hoje. O minério de ferro fechou em baixa de 0,93% nos mercados de Dalian, na China.
Já o petróleo mostra perdas de 1,25% (WTI) e 0,75% (Brent) um dia após a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) adiar para o segundo trimestre do ano que vem os esperados aumentos na produção.
Em contrapartida, os American Depositary Receipts (ADRs, recibos que permitem que investidores consigam comprar nos EUA ações de empresas não americanas) da Vale (VALE3) mostravam alta de 0,10% no pré-mercado de Nova York, por volta das 10h05 (de Brasília), enquanto os ADRs da Petrobras (PETR3; PETR4) avançavam 0,56%.
- Veja aqui a agenda econômica das empresas nesta sexta-feira
Mercado brasileiro
O dólar mostra leve valorização ante moedas fortes e emergentes e pode seguir orbitando ao redor de R$ 6,00 diante das incertezas com o cenário fiscal. Os juros futuros parecem fadados a seguir perto dos 14%, na ausência de uma notícia capaz de reverter a tendência de alta.
Parlamentares resistem a mexer no Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, e o pacote corre risco de desidratação. Líderes da Câmara afirmam que o pacote será aprovado ainda neste ano, mas há dúvidas sobre o tamanho final do ajuste, além do impasse envolvendo o pagamento de emendas parlamentares após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que pode repercutir no mercado financeiro hoje.
*Com informações do Broadcast