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Tempo Real

Ibovespa fecha em queda em dia de tensão dos mercados globais com temores por guerra comercial

Tarifas de Trump elevaram a aversão ao risco; os contratos futuros de ouro renovaram as máximas históricas

Por Cecília Mayrink

31/03/2025 | 14:19 Atualização: 31/03/2025 | 17:47

O Ibovespa é o principal índice da B3, a Bolsa de Valores brasileira. Foto: Adobe Stock
O Ibovespa é o principal índice da B3, a Bolsa de Valores brasileira. Foto: Adobe Stock

O Ibovespa hoje fechou em queda, com o mercado de olho nas tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e no Boletim Focus. Nesta segunda-feira (31), a principal referência da B3 encerrou em baixa de 1,25%, aos 130.259,54 pontos.

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Os temores de uma guerra comercial mais ampla elevaram a aversão ao risco. “As tarifas, se impostas na magnitude que ele [Trump] está ameaçando, ocasionariam uma forte desaceleração global”, avalia Marcelo Vieira, diretor da mesa de renda variável da Ville Capital.  As incertezas relacionadas ao tema devem se estender até pelo menos quarta-feira (2), chamado de “Liberation Day” (Dia da Libertação), quando entram em vigor as tarifas sobre bens de consumo importados pelos EUA.

O mercado tem dúvidas sobre a magnitude das novas tarifas que serão anunciadas por Trump e os seus efeitos para a economia americana. Isso porque as taxas sobre os itens de importações têm potencial de pressionar a inflação dos Estados Unidos ao passo de atrasar o ciclo de queda de juros e, consequentemente, desencadear uma recessão econômica no país. No dia 19 de março, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) decidiu manter inalterada as taxas de juros nos intervalos de entre 4,25% e 4,5% ao ano. A decisão reforça a postura cautelosa do BC americano sobre qualquer mudança na trajetória da política monetária dos EUA no atual momento.

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Dado esse contexto, os investidores buscam ativos de menor risco, enquanto o cenário macroeconômico continua incerto. Os contratos futuros de ouro renovaram suas máximas históricas nesta segunda-feira (31) e fecharam em alta, acima dos US$ 3.150 por onça-troy. Na medida em que os investidores absorvem a escalada de tensões geopolíticas ao redor do mundo e se posicionam para as tarifas recíprocas dos EUA – que entram em vigor na quarta-feira (2) -, o metal precioso se fortalece como porto seguro e proteção contra a inflação. Veja os detalhes nesta reportagem.

Já os mercados globais sofrem com a redução do apetite a risco dos investidores. As bolsas asiáticas fecharam nesta segunda (31) majoritariamente em forte baixa, com a de Tóquio entrando em território de correção após tombar mais de 4%. O Nikkei caiu 4,05% em Tóquio, a 35.617,56 pontos, pressionado por ações financeiras e de chips. Tendo acumulado perdas de mais de 10% desde seu último pico, o índice acionário japonês entrou no chamado território de correção.

Já as Bolsas da Europa fecharam no negativo e os índices de Nova York recuperaram as perdas iniciais e fecharam mistos na segunda-feira, embora ainda com incertezas em torno dos planos tarifários do presidente Donald Trump, que devem ser detalhados na quarta-feira. O Nasdaq seguiu em queda, ainda que tenha reduzido as perdas, sob pressão nas ações de tecnologia.

O Dow Jones avançou 1%, para 42.001,75 pontos, beneficiado pelos ganhos das ações do Walmart (+3,1%), Sherwin-Williams (2,8%) e da Home Depot (+2,3%). O S&P 500 ganhou 0,55%, fechando a 5.611,85 pontos, enquanto o Nasdaq recuou 0,14%, para 17.299,29 pontos, conforme os dados preliminares. Em março, o S&P 500 registrou uma queda de 5,75%, a maior queda mensal desde setembro de 2022, quando caiu 9,3%. O Nasdaq perdeu 8,21% no mês, enquanto o Dow Jones recuou 4,20%.

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As bolsas começaram o pregão com fortes perdas, com o Dow Jones tocando a mínima do dia a 41.148,13 pontos. No entanto, o avanço do Índice de Gerentes de Compras (PMI) americano, que superou as expectativas de março, e os ganhos expressivos dos setores de energia e consumo básico ajudaram a reduzir as perdas, levando o Dow Jones ao território positivo e o S&P 500 a inverter a tendência e passar a subir.

Para o Barclays, o cenário em torno do esperado pacote tarifário de Trump é caracterizado por uma “ansiedade de libertação”. O banco prevê que os EUA adotem tarifas recíprocas a 15 a 25 países, com efeitos quase imediatos. Por outro lado, o Goldman Sachs elevou sua previsão de recessão nos EUA, aumentando as chances para 35%, de 20%, e também revisou suas estimativas de crescimento do PIB para 2023, agora projetando um crescimento de apenas 1,5%.

Mercado doméstico

Por aqui, o boletim Focus do Banco Central (BC) atualizou as projeções para indicadores da economia, como Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e taxa Selic. Segundo o relatório, a mediana da inflação em 2025 permanece em 5,65%, mas ainda acima da meta (4,50%). Em 2026, a mediana ficou em 4,50%, e em 2027, em 4,0% pela sexta semana consecutiva. Já em cenários mais longos, como em 2028, a inflação brasileira deve se manter em 3,78%.

Na Bolsa brasileira, as ações do GPA (PCAR3) saltaram 13,60% e lideraram os ganhos da sessão. A empresa informou que a gestora Trustee DTVM, responsável pelo fundo Saint Germain, de Nelson Tanure, solicitou a convocação de uma assembleia geral extraordinária (AGE) para destituir o atual conselho de administração e eleger uma nova composição para o órgão.

Em relatório, o Citi avalia, contudo, que o fundo de Tanure não deve mudar as prioridades da gestão do GPA no curto e médio prazo. O banco chegou nesta conclusão após uma conversa informal com a empresa, visando entender o pedido do fundo para destituir o atual conselho de administração e eleger novos membros.

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Na ponta oposta, os papéis da CVC (CVCB3) derreteram 6,19% e registraram a maior baixa do Ibovespa hoje. Para o sócio da Fatorial Invest, Fábio Lemos, trata-se de uma realização de lucros para que o investidor se proteja do impacto que o início das tarifas dos EUA pode trazer. “O mercado não olha para os fundamentos e passa a realizar papéis que tiveram alta recente, colocando lucro no bolso”, explica Lemos.

No mercado de câmbio doméstico, o dólar hoje caiu 0,98%, a R$ 5,7053, após abrir em alta de 0,09%, a R$ 5,766.

*Com informações do Broadcast

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