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Tempo Real

Ibovespa hoje sobe aos 142 mil pontos após anúncio de tarifas à China; alta da Vale (VALE3) impulsiona o índice

Apetite a risco em NY também animou a Bolsa mesmo com temor fiscal e queda de commodities

Por Camilly Rosaboni e Beatriz Rocha

15/10/2025 | 7:54 Atualização: 15/10/2025 | 18:12

Sinal dovish de Powell se sobrepõe a tensões entre EUA e China; Ibovespa hoje repercute varejo. (Foto: Adobe Stock)
Sinal dovish de Powell se sobrepõe a tensões entre EUA e China; Ibovespa hoje repercute varejo. (Foto: Adobe Stock)

Após abrir em queda, o Ibovespa hoje fechou em alta, recuperando o nível dos 142 mil pontos. Nesta quarta-feira (15), o índice subiu 0,65%, aos 142.603,66 pontos. O mercado acompanhou novas tarifas de Estados Unidos para a China. No cenário local, investidores reagiram a dados de varejo.

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A aceleração ocorreu mesmo com a baixa das ações da Petrobras (PETR3/-1,4%; PETR4/-0,9%). Por outro lado, a Vale (VALE3) subiu 1,86%.

O apetite a risco no exterior, em meio a novos indícios de mais cortes de juros nos Estados Unidos e balanços positivos de grandes bancos norte-americanos, ajudaram a animar o principal índice da B3 hoje.

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Por outro lado, o recuo de 1,46% do minério de ferro em Dalian e recorrentes temores fiscais no Brasil, bem como com relação à política monetária, limitaram os ganhos do Ibovespa. Já o petróleo Brent fechou em queda de 0,77%.

Nesta quarta, os EUA anunciaram tarifa de 100% sobre produtos marítimos, logísticos e de construção naval da China, que passarão a valer a partir de 9 de novembro (leia mais abaixo).

Ainda ficaram no foco dados informados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As vendas do comércio varejista subiram 0,2% em agosto ante julho, igual à mediana das projeções. No conceito ampliado, cresceram 0,9%, acima da mediana de 0,7%.

No câmbio, o dólar hoje recuou ante moedas emergentes e ante o real. No encerramento, a moeda americana cedeu 0,14%, R$ 5,4624.

Ibovespa hoje: os principais assuntos desta quarta (15)

EUA impõem tarifas de 100% à China

O governo dos Estados Unidos anunciou uma nova rodada de tarifas de 100% a 150% sobre produtos chineses ligados aos setores marítimo, logístico e de construção naval. A ação busca “reduzir a dependência de fontes chinesas” e “fortalecer a segurança econômica e de cadeias de suprimentos” do país, segundo documento que será publicado amanhã no Federal Register, o diário oficial dos EUA.

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De acordo com o texto, as novas tarifas à China entram em vigor em 9 de novembro e abrangem uma ampla gama de equipamentos usados em portos e transporte intermodal. Entre os produtos afetados estão guindastes ship-to-shore (STS), usados para descarregar contêineres de embarcações, e chassis intermodais e suas partes, como trailers e semirreboques empregados no transporte de cargas marítimas e ferroviárias.

A tarifa também se aplica a equipamentos “fabricados, montados ou contendo componentes de origem chinesa”, inclusive aqueles produzidos “por empresas controladas ou substancialmente influenciadas por nacionais chineses”.

Nesta tarde, os contratos futuros do ouro ultrapassaram a barreira de US$ 4.200 por onça-troy, tocando nova máxima intraday histórica.

Bolsas de NY fecham mistas tensões comerciais

Os índices de Nova York encerraram sem direção única, enquanto os juros dos Treasuries (títulos da dívida estadunidense) fecharam em alta e o dólar hoje recuou ante moedas fortes após declarações do presidente do Fed, Jerome Powell, sobre riscos crescentes ao mercado de trabalho, reforçando apostas em nova flexibilização monetária neste ano.

A presidente do Fed de Boston, Susan Collins, disse ser “prudente relaxar um pouco mais” as taxas, diante de menor pressão inflacionária e maior risco ao emprego.

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A disputa tarifária entre EUA e China segue no radar. O diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, acusou Pequim de tentar intimidar Washington ao restringir exportações de terras raras, mas defendeu o diálogo e novos cortes de juros.

Na Europa, as Bolsas fecharam sem direção única, em meio ao otimismo com o setor de luxo e a sinais de estabilidade política na França. O índice CAC 40, da Bolsa de Paris, avançou cerca de 2%, impulsionado pelo anúncio de que o governo suspenderá a reforma da previdência até as eleições de 2027. Investidores também monitoraram a escalada nas tensões comerciais entre Estados Unidos e China.

Em destaque, o CAC 40, de Paris, avançou 1,99%, aos 8.077,00 pontos. O FTSE 100, de Londres, recuou 0,30%, aos 9.424,75 pontos. Em Frankfurt, o DAX cedeu 0,11%, aos 24.210,98 pontos, enquanto o Ibex35, em Madri recuou 0,03%, a 15.581,80 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 subiu 0,29%, a 8.251,93 pontos. O FTSE MIB, em Milão, caiu 0,38%, a 41.906,90 pontos.

Varejo avança após 4 quedas consecutivas

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga as vendas do varejo ampliado. (Foto: Adobe Stock)

As vendas do comércio varejista subiram 0,2% em agosto ante julho, na série com ajuste sazonal, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com agosto de 2024, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram alta de 0,4% em agosto.

Apesar do desempenho positivo em agosto, para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, os dados divulgados nos últimos meses mostram que o varejo vem perdendo força ao longo de 2025.

“Os números mais fracos vêm principalmente de segmentos sensíveis ao crédito, que são impactados pela Selic em patamar elevado, como veículos, materiais de construção, móveis e eletrodomésticos”, diz Moreno.

A expectativa de Moreno é de que as vendas no varejo ampliado fechem o ano praticamente estáveis, sem grandes variações em relação a 2024 (+3,7%).

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Quanto aos juros, a especialista espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha as taxas estáveis em 15% até o fim de 2025. “No entanto, considerando a possibilidade de novos cortes de juros no exterior, acreditamos que pode haver espaço para flexibilização no primeiro trimestre do ano que vem”, avalia, projetando a taxa de juros terminando 2026 em 13%.

Impasse fiscal pressiona negociações entre governo e Congresso

No campo fiscal, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reúne-se hoje com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para discutir o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), em meio ao impasse sobre emendas e arrecadação de 2026.

O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que o governo ainda busca R$ 35 bilhões para fechar o Orçamento.

Paralelamente, o Planalto tenta acordo com a oposição para retirar destaques ao PLP 168/2025, mantidos pelos líderes Carlos Portinho (PL-RJ) e Carlos Viana (Podemos-MG).

Agenda econômica do dia

As vendas do varejo de agosto ganharam as atenções dos investidores no Ibovespa hoje. Nos Estados Unidos, destaque para o Livro Bege, um relatório sobre as atuais condições econômicas em cada um dos 12 distritos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), em meio às tensões comerciais entre EUA e China.

Na agenda econômica hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou do lançamento da Carteira Nacional Docente e anunciou medidas do programa Mais Professores para o Brasil.

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Em paralelo, o presidente do Bando Central (BC), Gabriel Galípolo, comparecerá à noite nas reuniões fechadas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do G20 (grupo formado pelas 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia).

No exterior, o índice de atividade industrial Empire State, que mede as condições da manufatura no Estado de Nova York, saltou para 10,7 em outubro, ante -8,7 em setembro, segundo pesquisa divulgada pela distrital do Federal Reserve (Fed) em Nova York nesta quarta-feira. O resultado ficou bem acima da expectativa de analistas consultados pela FactSet, que previam avanço do indicador a 0 neste mês.

Ainda, balanços de grandes bancos ficam no radar. O Bank of America (BofA) teve lucro líquido de US$ 8,5 bilhões no terceiro trimestre de 2025, um aumento de 23% em comparação ao ganho de US$ 6,9 bilhões apurado em igual período do ano passado. O lucro diluído por ação do banco americano entre julho e setembro foi de US$ 1,06, acima da projeção de analistas consultados pela FactSet, de US$ 0,95.

Por sua vez, o Morgan Stanley registrou lucro líquido de US$ 4,61 bilhões no terceiro trimestre de 2025, um salto de 44,5% em relação aos US$ 3,19 bilhões apurados em igual período do ano passado. Entre julho e setembro, o lucro diluído por ação do banco americano ficou em US$ 2,80, superando o consenso da FactSet, de US$ 2,10.

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Esses e outros dados do dia ficaram no radar de investidores e impactaram as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.

*Com informações de Silvana Rocha e Maria Regina Silva, do Broadcast

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