Segundo o Itaú BBA, a tese de investimento permanece praticamente inalterada. O principal catalisador continua sendo a listagem da companhia em índices dos Estados Unidos, esperada para meados de 2026, movimento que poderia reduzir o desconto em relação a pares globais. “Ainda vemos a listagem nos EUA como um potencial gatilho, dada a avaliação atrativa frente aos concorrentes listados”, diz o relatório.
O banco não identificou mudanças relevantes no quadro operacional desde o relatório anterior, publicado em julho. A divisão de carne bovina nos Estados Unidos continua pressionada pela oferta restrita de gado, mas o Itaú BBA estima expansão de 40 pontos-base na margem Ebitda em 2026, favorecida pela base fraca de comparação e pelo recente anúncio de fechamento de uma planta industrial da Tyson (TSNF34).
No segmento de aves, o banco avalia que 2026 será um ano de transição em direção à normalização de margens. O mercado ainda encontra dificuldade em ampliar a oferta, o que mantém rentabilidade elevada na cadeia e reduz riscos de desequilíbrios no curto prazo. Com esse cenário, o banco projeta Ebitda de R$ 31,3 bilhões em 2026 e R$ 33,3 bilhões em 2027, além de um rendimento de fluxo de caixa ao acionista de 3% e 10%, respectivamente.
A JBS negocia hoje a 6,1 vezes o valor da empresa (EV)/Ebitda 2026 sob IFRS (Normas Internacionais de Relato Financeiro), múltiplo que poderia convergir para cerca de 5,0 vezes em cenário de margens normalizadas, de acordo com a avaliação do Itaú BBA. “Cada reprecificação de 0,5x EV/Ebitda implicaria potencial de alta de 20%”, afirma o relatório, ao reiterar que parte do desconto deve permanecer devido à maior exposição da companhia ao Brasil e à menor fatia de produtos processados no mix.
Para o Itaú BBA, porém, uma reavaliação mais forte do ativo só deve ocorrer quando a JBS (JBSS32) entrar de fato nos índices americanos. Até lá, investidores devem continuar monitorando a evolução do ciclo do frango e possíveis aumentos de oferta ao longo de 2026.