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Tempo Real

Juros fecham em alta impulsionada por relatório econômico dos EUA

Números de geração de empregos nos EUA em maio acima das expectativas afetaram as taxas nesta sessão

Por Denise Abarca

07/06/2024 | 18:09 Atualização: 07/06/2024 | 18:15

Juros (Foto: Adobe Stock)
Juros (Foto: Adobe Stock)

Os juros futuros fecharam a sexta-feira (7) em forte alta, disparando mais de 40 pontos-base a partir dos vértices intermediários, ainda sob o efeito do relatório de emprego norte-americano, que puxou para cima os rendimentos dos Treasuries (títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano) e o dólar, penalizando ativos de economias emergentes de forma generalizada.

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A surpresa com o payroll e com os ganhos salariais maiores do que o esperado, a poucos dias da reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), reduziu as apostas de início do corte de juros nos Estados Unidos em setembro e também para o tamanho do alívio em 2024, fortalecendo, no Brasil, a ideia de fim das quedas da Selic. A semana termina com taxas bastante acima dos níveis da última sexta-feira, em especial no miolo da curva.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 estava em 10,600%, de 10,440% ontem. A do DI para janeiro de 2026 disparou de 10,85% para 11,22%. A taxa do DI para janeiro de 2027 saltou a 11,60%, de 11,16%, e a do DI para janeiro de 2029, de 11,58% para 11,96%.

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A sessão teve giro expressivo de contratos, refletindo prováveis movimentos de zeragem de posições vendidas, desmontadas a partir do susto com o payroll de maio. A criação de postos de trabalho, de 272 mil, superou a mediana (185 mil) e o teto das estimativas do mercado (220 mil) e o ritmo dos salários também surpreendeu, ainda que a taxa de desemprego tenha avançado.

Os números esfriaram as apostas de corte de juro nos EUA em setembro, que antes do dado giravam em torno de 60%. Pelo monitoramento do CME Group, perto das 17h estavam divididas, com 50,8% de probabilidade para corte e 49,2% para manutenção. Ainda, o mercado voltou a ver com mais força a chance de apenas uma redução em 2024 e o risco de não haver queda saltou de 5,5% para 14%. Nos Treasuries, o yield da T-Note de 10 anos voltou a superar 4,40%, marcando 4,43% no fim da tarde e o do papel de 2 anos saltava a 4,88%.

A economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, afirma que a leitura do mercado é de juros elevado por período prolongado nos EUA e a curva doméstica é penalizada ainda pela perda de valor do real em relação ao dólar, pela via da inflação. O dólar à vista fechou hoje em R$ 5,3247 e a percepção é que manutenção da cotação por muito tempo próxima de R$ 5,30 vai contaminar os preços. “Fora isso, tem um pouco de explicação desse prêmio na curva de juros pela questão do fiscal, como vai ficar a capacidade de arrecadação do governo com as medidas que foram lançadas essa semana”, afirma.

O quadro de apostas para juro nos EUA mexe com o sentimento do investidor com relação à política monetária no Brasil, que adicionalmente tem um quadro fiscal adverso e expectativas de inflação desancoradas em relação à meta de 3%. Poluída por movimentos técnicos ligados a possíveis movimentos de “stop loss”, a precificação da curva mostrava nesta tarde Selic próxima de 11% no fim de 2024, a 10,90%. Para a reunião de junho, a curva projetava 100% de chance de manutenção no atual patamar de 10,50%.

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Em evento da Universidade de Brasília, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, comentou que a postergação da expectativa de corte de juro nos Estados Unidos refletiu em elevação de juro terminal em emergentes. Ele destacou que os últimos dados de inflação foram benignos, mas a desancoragem das expectativas persiste – e é isso que causa a preocupação no BC. “Cabe ao Copom colocar a taxa de juros no patamar restrito necessário tempo suficiente para atingir a meta de inflação”, disse Galípolo, defendendo a busca da meta ainda que com choques exógenos.

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