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Tempo Real

Juros acompanham exterior e fecham em queda, com receios por guerra comercial em foco

No período da tarde, o maior alívio no câmbio deu gás extra ao ajuste das taxas

Por Denise Abarca

31/03/2025 | 18:16 Atualização: 31/03/2025 | 18:18

Juros. (Foto: Adobe Stock)
Juros. (Foto: Adobe Stock)

Os juros futuros recuaram nesta segunda-feira (31), refletindo um movimento de correção das altas recentes, estimulado pelo ambiente externo dominado pelos receios sobre a guerra tarifária, pela leitura benigna das medianas de IPCA na pesquisa Focus e por declarações do diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David. À tarde, o maior alívio no câmbio deu gás extra ao ajuste das taxas.

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O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2026 fechou com taxa de 15,015%, de 15,118% no ajuste de sexta-feira, e o DI para janeiro de 2027, taxa de 14,93% (15,05% no ajuste anterior). A taxa do DI para janeiro de 2029 caía de 14,79% para 14,71%. No mês, a curva perdeu inclinação, com alta da ponta curta e queda na longa. No balanço do primeiro trimestre, todas as taxas recuaram, com destaque para o trecho intermediário.

As taxas curtas e intermediárias foram as que mostraram queda mais firme e regular. As longas estiveram à mercê da curva americana, que mostrou volatilidade durante o dia. Os mercados, de forma geral, passaram o dia acuados pela incerteza em relação à guerra tarifária imposta
pelo presidente dos EUA, Donald Trump, dada a proximidade da entrada em vigor da taxação das importações no dia 2. “Traz piora na perspectiva de crescimento econômico e, com isso, um movimento generalizado de queda de taxa de juros no mundo”, explica Carlos Eduardo de Mello Paiva, estrategista-chefe da Constância Investimentos. Trump afirmou ontem que não serão apenas 10 ou 15 nações que serão atingidas pelas tarifas recíprocas, mas sim “todos os países”.

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Dado o risco ao crescimento econômico dos EUA trazido pelas tarifas, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) pode ser ver obrigado a esticar o ciclo de queda de juros, já que tem duplo mandato, apesar dos efeitos sobre a inflação. Esse cenário beneficia ativos de risco, especialmente nas economias emergentes como o Brasil, que no momento tem uma das maiores taxas de juros em termos reais no mundo.

Internamente, a pesquisa Focus trouxe boas notícias. As medianas de inflação pararam de piorar, com 2025 (5,65%), 2026 (4,50%) e 2027 (4,0%), mantendo-se nos mesmos níveis, sendo que na métrica 12 meses à frente, que ganhou relevância no sistema de metas contínuas, houve queda, de 5,19% para 5,15%.

Apesar da relativa estabilidade, as medianas estão bem longe da meta de 3%, que Nilton David reforçou hoje ser o objetivo principal do BC, mas indicou que esse percurso será cumprido com o menor sacrifício que for possível para a atividade. “O Banco Central vai buscar o caminho que for mais razoável para se chegar a esses 3% primeiro, claro que em vista das consequências que tem para os dois lados”, afirmou, em live organizada pelo Itaú BBA.

Para Mello e Paiva, a declaração sugere ser bastante improvável que o BC possa dar um choque de juros para fazer a inflação convergir e deve optar pelo “Higher for longer”. “Para mim é muito claro que o discurso dele é subir mais um pouco a taxa e deixar o tempo necessário para que a inflação pelo menos comece a convergir para a meta. Como está muito distante, inclusive do teto, é provável que o BC inicie um movimento de queda rápido”, afirma.

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Com a taxa já em nível bastante restritivo, a questão, segundo o diretor, é saber como vão ser os próximos meses, “como vai ser a dinâmica das expectativas do mercado e o comportamento dos agentes”. “Com base nisso, a gente vai calibrar”, explicou.

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