

A Legacy Capital segue com perspectiva relativa favorável para a economia dos Estados Unidos, mantendo as posições compradas (que apostam na alta) de ações americanas. Na estratégia de câmbio, reduziu as posições compradas em dólar, tendo em vista o bom desempenho recente da moeda. As informações constam na carta mensal mais recente da gestora.
Segundo a Legacy, passada a eleição presidencial nos Estados Unidos e escolhidos os principais membros do secretariado, a atenção se volta para as prioridades e para o sequenciamento da pauta econômica da nova administração do republicano Donald Trump.
A gestora diz que há três frentes de ação importantes a acompanhar: “a extensão dos cortes de impostos às famílias, instituído em 2017 e válido até 2025; as tarifas de importação; e o programa de aumento da eficiência governamental, a cargo de Elon Musk e Vivek Ramaswamy, que incluirá cortes de gastos e demissão de funcionários públicos”, descreve. “A intensidade, o sucesso, e o sequenciamento das medidas, nestas áreas, serão determinantes para o comportamento da economia e dos preços de ativos”, afirma a equipe de gestão, acrescentando que seu entendimento é de que “o governo não deseja provocar inflação, nem imprimir choques demasiado intensos à confiança e à atividade econômica”.
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A expectativa é de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) corte os juros em 25 pontos-base na reunião de dezembro do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). “O Comitê tem mostrado algum desconforto com a interrupção da melhora da inflação e com a atividade econômica resiliente, o que torna provável uma pausa em janeiro”, diz.
Posições de valor relativo no Brasil
Já na alocação em Brasil, a Legacy informa ter optado por “navegar o cenário prospectivo de inflação e juros elevados através de posições de valor relativo”. Isso porque, para a gestora, o pacote de cortes de gastos anunciado pelo governo “não muda significativamente a trajetória aceleradamente ascendente da dívida pública nos próximos anos”, enquanto a proposta de isenção de Imposto de Renda para rendimentos mensais inferiores a R$ 5 mil é uma “medida populista e fiscalmente muito onerosa”.
“Esta medida deverá ser aprovada em 2025, mas suas compensações (que incluirão um novo formato de imposto mínimo sobre a renda agregada para faixas de rendimentos acima de R$ 600 mil/ano) terão, com certeza, maior dificuldade em sua tramitação. Em função desta guinada, os preços de ativos brasileiros se deterioraram severamente”, avalia a equipe de gestão.
Segundo a Legacy, a depreciação cambial levará a uma nova rodada de aumento das expectativas de inflação, que “dará combustível à já contratada aceleração da inflação, que, estimamos, atingirá 6%, ou mais, em 2025”. “O Banco Central acelerará a alta de juros, mas não será capaz de, sozinho, reverter a piora das expectativas e da confiança, que poderá se intensificar, à frente”, descreve a carta.
Resultado em novembro
Em novembro, o Legacy Capital B FIC apresentou alta de 1,45%, com ganho acumulado de 4,10% no ano até agora. Segundo a carta, praticamente todas as estratégias avançaram no último mês, com destaque para as posições compradas em dólar contra uma cesta de moedas e em S&P, além das posições de valor relativo.