“Quanto mais polícia você necessita, significa que menos Estado você tem”, declarou, em evento de lançamento do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), nesta quarta-feira, 15, no Palácio do Planalto. De acordo com ele, o Estado está presente com a saúde, educação, cultura, lazer e “em tudo aquilo que a sociedade precisa para viver”.
Lula citou que há uma imagem ruim da polícia no Brasil e, assim, como o povo tem “medo” da polícia, e ela também tem medo do povo. “Mais importante que prender o cidadão, é saber o que esse cidadão vai fazer quando estiver preso e for solto”, disse. Segundo ele, se não for dado a um jovem de 18 anos a esperança quando for preso, ao sair da cadeira o cidadão sairá “pior do que entrou”.
“O Estado brasileiro não pode continuar omisso aos problemas da sociedade”, disse, citando a importância de “salvar” a periferia e não aceitar a violência contra mulher. Em mais aceno ao combate à violência de gênero, ele pontuou que tal violência não está apenas restrita à periferia, mas existe também na classe média.
O presidente também destacou a diferença de trato policial nas diferentes classes sociais. “O que precisamos é mudar o papel do Estado brasileiro.”
Nesta manhã, Lula fez a entrega de 270 viaturas para as patrulhas Maria da Penha e a implementação de 40 novas Casas da Mulher Brasileira, locais de acolhimento de vítimas da violência doméstica – hoje, há apenas 7. A ação faz parte da segunda edição do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci).
A ação é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e chega à segunda edição com foco na repressão aos crimes de gênero. As viaturas entregues hoje serão direcionadas aos Estados proporcionalmente, considerando os indicadores de violência. De acordo com o ministro da Justiça, Flávio Dino, há a previsão da entrega de 500 viaturas ainda neste ano.
Participaram do evento, além de Lula, os ministros Flávio Dino (Justiça), Rui Costa (Casa Civil) e Cida Gonçalves (Mulheres) e as governadoras Raquel Lyra (Pernambuco) e Celina Leão (Distrito Federal).