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
A Marcopolo (POMO4) divulgou nesta terça-feira (25) o seu balanço do quarto trimestre de 2024, e apresentou um lucro líquido de R$ 318,8 milhões, crescimento de 17% em relação ao apurado no mesmo intervalo de 2023. As ações da empresa, no entanto, reagem negativamente e caem 3,61% a R$ 7,75 no pregão.
Para o BTG Pactual, o resultado da Marcopolo mostrou uma receita líquida acima das estimativas, mas uma margem menor do que a esperada. Mais especificamente, a receita operacional líquida da empresa totalizou R$ 2,7 bilhões, número 30% mais alto na comparação anual e 10% superior ao projetado pelo banco, refletindo maiores volumes e preços.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciação) totalizou R$ 461 milhões, implicando uma margem de 17%, contra a estimativa de 18% do BTG. O indicador foi impactado por uma provisão não recorrente de R$ 17 milhões relacionada à compensação variável dos funcionários em 2024. Excluindo esse efeito, o Ebitda ajustado foi de R$ 478 milhões, resultando em uma margem ajustada de 18%.
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Na visão da XP Investimentos, embora a ligeira contração da margem no trimestre possa levantar preocupações à primeira vista, a corretora não vê a rentabilidade como uma bandeira amarela. A casa também vê com bons olhos os indicadores operacionais da Marcopolo, com crescimento contínuo de volume e preços implícitos mais altos, à medida que a empresa passa por pressões inflacionárias.
Balanço da Marcopolo agradou analistas?
O BTG mantém recomendação de compra para POMO4 com preço-alvo de R$ 13. “O desempenho da Marcopolo no quarto trimestre mostrou um crescimento robusto da receita líquida, com alguma pressão sobre as margens, mas ainda acima dos níveis históricos, destacando os efeitos positivos dos esforços de reestruturação. Acreditamos que as condições estão postas para uma melhora gradual das margens em 2025″, afirma o time do banco.
A XP também classificou os resultados como sólidos, dado o forte desempenho da receita. “Não vemos sinais de normalização do ciclo dos produtos da Marcopolo, mitigando o que pode ser uma das principais preocupações da tese atualmente”, afirma a corretora. “Considerando tudo, reiteramos a empresa como nossa top-pick (preferência) entre os nomes de bens de capital e vemos o desempenho atual das ações como imerecido”, complementa, referindo-se à queda das ações no pregão.
O Itaú BBA, no entanto, adotou uma visão diferente e avaliou que o balanço foi levemente negativo. “Se não fosse pelo forte posicionamento comprador na ação, consideraríamos os resultados do quarto trimestre como positivos. No entanto, os investidores provavelmente focarão na queda de 1 ponto percentual na margem Ebitda em relação ao trimestre anterior e no lucro líquido abaixo do consenso”, destaca.
O BBA reforça, porém, que os comentários da administração da Marcopolo continuam apontando demanda resiliente e uma carteira de pedidos forte, com tendências operacionais melhorando especialmente no mercado externo. “Isso sustenta nossa visão positiva sobre a ação, que enxergamos sendo negociada a 7x P/L (preço sobre lucro) para 2025, com um dividend yield (rendimento de dividendos) de 7%”, pontua.
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