Contrato do ouro fecha em alta em sessão com apetite por risco, após queda no último pregão. (Imagem: Adobe Stock)
O contrato mais líquido do ouro fechou em alta hoje, em uma sessão com apetite por risco em razão dos desdobramentos no Oriente Médio, em especial as especulações sobre negociações entre Estados Unidos e Irã por um cessar-fogo. Por sua vez, analistas reforçam que o metal está operando ainda em um cenário pressionado, que não deve se alterar com perspectivas de curto prazo para o conflito.
Na divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para abril encerrou em alta de 3,41%, a US$ 4.552,3 por onça-troy. Já a prata para maio teve alta de 4,43%, a US$ 72,64 por onça-troy.
“O ouro é o porto seguro por excelência. No entanto, ele tem se comportado em sincronia com o risco em um cenário de estagflação e choque geopolítico. Em nossa visão, os fluxos do setor oficial estão intrinsecamente ligados às balanças comerciais, à medida que as nações diversificam suas reservas, reduzindo a dependência do dólar em relação aos superávits, criando uma correlação positiva entre o ouro e o crescimento global”, avalia o TD Securities.
Desde a guerra no Irã, os mercados de taxas de juros certamente se reajustaram, mas a escala das liquidações em ouro não é proporcional à simples exclusão de dois cortes de juros do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. Em vez disso, o conflito catalisou uma ruptura nos fluxos do setor oficial, devido aos danos aos superávits dos importadores de energia causados pelos preços mais altos e ao impacto econômico sobre os produtores do Oriente Médio, avalia o banco.
“Sem a oferta estrutural do setor oficial, a participação generalizada de investidores institucionais ficou vulnerável. A escala das liquidações foi significativa e ainda estamos longe de uma capitulação. Nossas simulações ainda apontam para a continuidade da atividade de venda por parte dos CTAs (Consultores de Negociação de Commodities) na próxima semana e pouca margem para compras em qualquer cenário de
preços”, antecipa.
Enquanto isso, o secretário do Interior, Doug Burgum, afirmou que trouxe recentemente US$ 100 milhões em ouro da Venezuela para refinarias americanas. Burgum visitou o país sul-americano com executivos dos setores de mineração no início deste mês para se encontrar com a presidente interina Delcy Rodríguez.