

Historicamente, a poupança é uma escolha popular entre os brasileiros devido à sua simplicidade e segurança. Contudo, a inflação tem impactado negativamente o seu rendimento, levando muitos investidores a reavaliar suas estratégias, como destacou Amarildo José Rodrigues, coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Anhanguera. Levantamentos recentes da XP Investimentos mostram que a diferença de rentabilidade entre a poupança e outras opções, como o Tesouro Selic, pode representar bilhões a mais na migração de recursos.
O especialista orienta que investir em renda fixa, como CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e títulos públicos, é uma alternativa atraente. Essas opções oferecem retornos mais interessantes do que a poupança e são consideradas de baixo risco. “Vale ressaltar que, embora tenham rentabilidades superiores, é essencial analisar prazos e condições oferecidas por cada instituição”, afirma Rodrigues.
O especialista destaca ainda que o mercado de ações e fundos de investimento também ganham destaque, especialmente para investidores que buscam maior potencial de retorno. Mas é importante notar que essas opções envolvem maior volatilidade e exigem um entendimento mais aprofundado do mercado financeiro.
O coordenador também alerta o crescente interesse em criptomoedas. “O avanço das tecnologias financeiras tem introduzido novas formas de investimento, como as criptomoedas. Bitcoin e outras moedas digitais têm despertado interesse, mas a volatilidade e a falta de regulamentação plena tornam essas opções mais arriscadas e exigem cuidado por parte dos investidores”, acrescenta.
A poupança, embora isenta de Imposto de Renda (IR), perde em rentabilidade para o Tesouro Selic e CDBs atrelados ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), especialmente em um cenário de Selic elevada.
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Atualmente, segundo um levantamento realizado pelo Research de Renda Fixa da XP, com base em dados do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), 245 milhões de contas possuem cerca de R$ 940,9 bilhões na poupança, com uma rentabilidade de 6,17% ao ano, o que gera um rendimento anual de aproximadamente R$ 58,1 bilhões.
Porém, esse valor continua demasiadamente inferior ao que poderia ser obtido caso esse montante fosse alocado em títulos públicos, como o Tesouro Selic, que garante uma rentabilidade efetiva de 13,25% ao ano. A diferença anual entre a rentabilidade da poupança e a do Tesouro Selic é de cerca de 7,08 pontos percentuais.
Ainda segundo esse mesmo levantamento, essa diferença de rentabilidade poderia resultar em R$ 66,7 bilhões a mais para os investidores que optassem por migrar seus recursos para o Tesouro Selic. Para ilustrar o impacto dessa diferença, estima-se que um montante de R$ 100 mil deixado na poupança perderia cerca de R$ 7 mil por ano em relação ao Tesouro Selic.
A tabela a seguir mostra o total de depósitos por faixa de valores e a diferença anual estimada em rendimentos, caso os investidores mantivessem seus recursos na poupança, em vez de migrá-los para títulos públicos ou CDBs:
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Essa diferença de rendimentos reflete uma mudança no comportamento do investidor, que busca alternativas mais vantajosas. A tendência de migração dos recursos da poupança para investimentos mais rentáveis, como os títulos públicos, segue crescendo à medida que os brasileiros procuram formas de proteger e potencializar seus recursos em um ambiente de juros mais baixos.