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Tesouro IPCA+ perde força e prefixados disparam com aposta em corte de juros em 2026

Mercado migra de IPCA+ para os prefixados do Tesouro após tarifas de Trump e expectativa de corte na Selic

Por Leo Guimarães

04/04/2025 | 18:41 Atualização: 04/04/2025 | 18:41

A perda de atratividade dos títulos atrelados à inflação, é expressa na valorização das LTNs. Foto: Adobestock
A perda de atratividade dos títulos atrelados à inflação, é expressa na valorização das LTNs. Foto: Adobestock

Entre dezembro de 2024 e o fim de março deste ano, alguns títulos do Tesouro Direto atrelados à inflação – os Tesouro IPCA+ (NTN-Bs) – chegaram a oferecer juros reais de 8% ao ano. Mas, com o anúncio, esta semana, das tarifas de reciprocidade por parte do governo Donald Trump nos EUA, esse patamar passou a ficar mais distante. Os papéis passaram a corrigir para baixo a cada atualização. O temor de uma desaceleração global aumentou a expectativa de cortes de juros nos Estados Unidos e, por reflexo, no Brasil.

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Isso não significa que a janela do IPCA+8% se fechou. Com a aproximação das eleições de 2026, o risco fiscal no Brasil tende a ficar cada vez mais no radar dos investidores. Mesmo que as taxas voltem a subir, isso não significa que as NTBs sejam, hoje,  a melhor alocação.
“Estamos diante de um cenário com Selic muito alta e grande incerteza à frente, especialmente por ser um período pré-eleitoral. Historicamente, anos eleitorais como 2026 tendem a gerar forte volatilidade na curva de juros”, diz Ângelo Belitardo Neto, da Hike Capital.

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Por isso ele acredita que, mesmo surgindo novas oportunidades de IPCA+ com juros maiores, não seriam a melhor alternativa.

Tesouro prefixado na mira

No mercado, a perda de atratividade dos títulos atrelados à inflação é expressa na valorização das LTNs, conhecidos como Tesouro Prefixados. Desde o tarifaço de Trump, esses papéis registraram uma das maiores variações nas taxas de juros.

O título com vencimento em 2028 chegou a pagar 13,98% na manhã desta sexta (4), com preço unitário (PU) de R$ 699,96, ante 14,50% e PU de R$ 690,58 na véspera do anúncio das novas tarifas de reciprocidade dos EUA, na quarta (2).

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No mercado de juros, a relação entre taxas e PU são inversas. Quando o preço do título sobe, sua taxa cai e vice-versa. Assim como na economia real, quando um produto passa a ser mais procurado, seu preço tende a subir. E, no caso dos papéis de renda fixa, quem compra mais caro vai continuar a receber os mesmos pagamentos no futuro. Ou seja, o retorno proporcional fica menor.

  • Tarifaço de Trump derruba juros: veja como proteger seus investimentos em renda fixa

A maior demanda do mercado por este papel reflete a leitura de que prefixados com vencimento entre 2027 e 2029 concentram a melhor relação risco-retorno na captura do próximo ciclo de queda de juros. A expectativa é de que a Selic pare de subir entre 15% e 15,25% ainda este ano. “Por isso, há uma corrida para travar prefixados que capturem esse início de novo ciclo”, diz Ian Lima, gestor de Renda Fixa do Inter.

Fatores por trás da demanda

Como a LTN 2028 está no meio do caminho, nem tão curta a ponto de sofrer com a alta de juros até o final deste ano, nem tão longa a ponto de embutir muitos riscos fiscais, ela virou alvo preferido. “Se a Selic começar a cair entre o fim de 2025 e 2026, esse papel pode performar muito bem”, diz o especialista referindo-se à marcação a mercado.

Há ainda um fator técnico. Como Tesouro Nacional parou de ofertar a LTN 2028 nos leilões, isso afeta o equilíbrio entre oferta e demanda. “Com menos papel circulando, e ainda havendo apetite, o preço sobe e a taxa cai. Isso tem peso, mas é só uma menor parte”, diz o especialista. Portanto, o atual movimento nas LTNs, principalmente na 2028, é uma junção de menor oferta, maior demanda e reposicionamento global dos investidores.

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