

Os juros dos títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano (Treasuries) de curto prazo cederam e os longos subiram nesta terça-feira (3), à medida em que os investidores se preparam para a divulgação do relatório payroll na sexta-feira, assimilando dados do Jolts e comentários de membros do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).
No fim da tarde em Nova York, a taxa da T-note de 2 anos cedia a 4,173%. A taxa da T-note de 10 anos subia a 4,224% e a do T-bond de 30 anos apresentava alta, a 4,404%.
A sessão foi de volatilidade com as taxas marcando mínimas intradiárias pela manhã diante de fluxo em busca de segurança dos títulos, após aumento de incertezas na geopolítica global. Na Coreia do Sul, o presidente Yoon Suk Yeol declarou lei marcial de emergência, acusando oposição de atividades antiestatais. O ambiente seguia instável na Coreia do Sul. No Oriente Médio, Israel ameaçou intensificar seus ataques contra o Líbano, se o cessar-fogo com o Hezbollah cair.
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Mas as taxas voltaram a subir ao longo da tarde nos vértices de longo prazo. Nesta terça-feira, o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, disse que as possíveis tarifas do futuro governo americano poderão ter poder inflacionário sobre os EUA. A presidente da distrital de São Francisco do Fed, Mary Daly, disse que a economia americana está em uma boa posição, com o mercado de trabalho sólido e um bom crescimento. Falas antecederam participação amanhã do presidente do Fed, Jerome Powell, em evento em Nova York.
Entre os títulos europeus, o diferencial entre os rendimentos de referência dos papéis da dívida da França com o da Alemanha se manteve próximo da máxima dos últimos 12 anos, sinalizando desconforto dos investidores. Marine Le Pen, da extrema-direita francesa, disse estar preparada para apoiar um voto de desconfiança contra o primeiro-ministro Michel Barnier. Para o Julius Baer, o prêmio de risco político nos títulos franceses não deve, provavelmente, desaparecer no curto prazo, mas não representa uma apreensão, na fase atual, sobre a sustentabilidade da dívida. “A ampliação do spread ainda é modesta em termos absolutos”, afirmaram os analistas do banco.