A casa avalia que o cenário global turbulento continuou a dar impulso ao movimento de rotação dos investidores para fora dos ativos dos Estados Unidos. Segundo a XP, os dois principais beneficiários desse movimento foram os metais preciosos e os ativos de mercados emergentes. Como resultado, o ouro subiu 12% em janeiro, a prata avançou 17% e o índice MSCI Emergentes teve alta de 8,8%.
Na avaliação da corretora, essa rotação de investidores saírem dos EUA e migrarem para emergentes deve permanecer “intacta” ao longo dos próximos trimestres, impulsionada por fatores como a desvalorização estrutural do dólar e a relação de risco e retorno cada vez mais esticada das ações americanas.
Nesse cenário, o Brasil se destaca como uma oportunidade, dado o ciclo doméstico de afrouxamento monetário e os valuations relativos atrativos, além da forte representatividade no setor de mineração e siderurgia. Até o dia 29 de janeiro, houve entrada de R$ 25,32 bilhões no ano na Bolsa local por parte de estrangeiros, montante equivalente a 99,4% de todo o ingresso registrado ao longo de 2025, que somou R$ 25,473 bilhões.
“Retornamos recentemente de uma semana de encontros com investidores na Europa e observamos um otimismo renovado com o Brasil, sustentado pela expectativa de um ciclo iminente de afrouxamento monetário e por valuations ainda atrativos em relação a outros mercados emergentes e globais”, destaca a XP.
De acordo com a casa, as eleições presidenciais de 2026 seguem no radar dos gringos, mas, de forma geral, os estrangeiros estão mais tranquilos e menos preocupados com o tema do que os investidores locais.
A corretora também avalia que a Bolsa brasileira ainda não está “cara”. Em comparação a outros mercados emergentes e da América Latina, o valuation relativo das ações locais permaneceu amplamente estável no último ano. “Apenas mais recentemente o Brasil passou a se descolar de forma mais relevante de seus pares, à medida que uma fase de performance relativa superior mais intensa se traduziu em uma expansão mais visível dos múltiplos relativos”, afirma a XP.