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Negócios

Invasão à Ucrânia gera mudanças nas notas de classificação de crédito

As agências ja sinalizaram que podem fazer novos cortes

Por Reuters

26/02/2022 | 19:59 Atualização: 27/02/2022 | 12:53

Protestos na Ucrânia contra invasão russa (Foto: EFE/EPA/WILL OLIVER)
Protestos na Ucrânia contra invasão russa (Foto: EFE/EPA/WILL OLIVER)

A invasão da Ucrânia pela Rússia desencadeou uma enxurrada de mudanças de classificação de crédito na sexta-feira, com a S&P reduzindo a nota da Rússia para o status de “junk”, a Moody’s colocando o país em revisão para um rebaixamento para o mesmo patamar e a Fitch cortando a Ucrânia por preocupações com calotes derivados do ataque.

Leia mais:
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Os mercados financeiros de ambos os países foram surpreendentemente agitados pelos eventos desta semana, que se classificam como o maior ataque militar na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, trazendo duras sanções ocidentais a Moscou.

A S&P rebaixou o rating de crédito em moeda estrangeira de longo prazo da Rússia para “BB+”, de “BBB-“, e alertou que poderia fazer novos cortes, depois de obter mais clareza sobre as repercussões macroeconômicas das sanções impostas contra o país.

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“Em nossa opinião, as sanções anunciadas até o momento podem ter implicações negativas significativas para a capacidade do setor bancário russo de atuar como intermediário financeiro para o comércio internacional”, disse a S&P. A agência também cortou o rating da Ucrânia para “B-“, de “B”.

A Rússia agora tem uma classificação de grau de investimento “Baa3” da Moody’s e uma nota equivalente, “BBB-“, da Fitch, devido a um dos níveis de dívida mais baixos do mundo, de apenas 20% do PIB, e quase 650 bilhões de dólares em reservas cambiais.

Um rebaixamento, no entanto, reduziria essa classificação para a categoria mais arriscada de “junk”.

“A decisão de colocar os ratings em revisão para rebaixamento reflete as implicações negativas de crédito para o perfil de crédito da Rússia das sanções severas adicionais impostas”, disse a Moody’s em comunicado.

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As revisões de classificação soberana podem levar meses, mas dessa vez provavelmente serão mais rápidas.

A Moody’s disse que sua decisão levará em conta a escala do conflito e a gravidade de sanções ocidentais adicionais, que já atingiram alguns dos principais bancos russos, exportações militares e membros do círculo íntimo do presidente Vladimir Putin.

A agência acrescentou que também avaliará o grau em que as reservas substanciais de moeda da Rússia serão capazes de mitigar a interrupção decorrente das novas sanções e do longo conflito.

“A Moody’s procurará concluir a revisão quando essas implicações de crédito se tornarem mais claras, particularmente quando o impacto de novas sanções tomar forma nos próximos dias ou semanas”, afirmou.

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A Moody’s também colocou a já ruim classificação “B3” da Ucrânia em revisão para um rebaixamento.

A Fitch não esperou, no entanto, e agiu imediatamente para reduzir a nota da Ucrânia em três níveis, para “CCC”, de “B”.

A agência explicou: “Há uma grande probabilidade de um longo período de instabilidade política, com a mudança de regime como um objetivo provável do presidente Putin, criando maior incerteza política e potencialmente também minando a disposição da Ucrânia de pagar dívida.”

O banco central da Rússia reforçou seu setor bancário com bilhões em moeda estrangeira adicional e liquidez em rublos, enquanto o governo prometeu separadamente apoio total às empresas atingidas pelas sanções.

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Não é a primeira vez que a Rússia está sendo reduzida a “junk”. A Moody’s e a S&P tomaram medidas semelhantes no início de 2015, depois que a anexação da Crimeia e a queda dos preços do petróleo causaram uma crise cambial do rublo.

Há “sérias preocupações” em torno da capacidade da Rússia de gerenciar o impacto disruptivo de novas sanções sobre sua economia, finanças públicas e sistema financeiro, disse a Moody’s na sexta-feira.

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