O dólar cai ante as divisas de países desenvolvidos, pressionado pelo euro, que ganhou impulso após melhora inesperada do sentimento das empresas da Alemanha e do discurso de Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), indicando que os juros poderão começar a subir já em julho. Petróleo e minério de ferro também avançam, refletindo uma expectativa de aumento de demanda por combustíveis e a recuperação do consumo da China, já que a cidade de Xangai vem aliviando paulatinamente as restrições relacionadas à Covid-19.
O pano de fundo dos negócios, todavia, permanece o mesmo. A preocupação com a inflação ao redor de todo o mundo, deixa os investidores atentos. A realização do Fórum Econômico Mundial, em Davos, que reúne os principais líderes globais pode trazer alguma novidade nesta frente.
No Brasil, o ambiente global favorece o desempenho dos ativos de risco domésticos, especialmente se considerarmos a agenda de indicadores e o noticiário mais esvaziado nesta segunda-feira. A moeda americana tem recuo consistente, negociando abaixo dos R$ 4,80, e o Ibovespa negocia aos 110.200 pontos. O maior apetite ao risco é alimentado pela perspectiva de reabertura da economia da China e de novos estímulos ao gigante asiático.
A possibilidade do governo americano retirar algumas das tarifas impostas a produtos chineses e, no Brasil, o projeto que unifica a alíquota do ICMS a 17% para combustíveis, energia e telecomunicações (poderá ser votado amanhã), são variáveis favoráveis ao cenário inflacionário. As ações da Petrobras sobem com força, amparadas pela questão do ICMS, que também ajuda a derrubar os juros futuros. Na contramão da curva de juro americana, as taxas de juro locais recuam ainda com a valorização do câmbio e expectativa de forte desaceleração do IPCA-15 de maio.