Apesar de ser esperado, a autoridade monetária desenhou um cenário mais grave de inflação pressionada e desaceleração da economia, em meio à guerra na Ucrânia. O resultado disso foi que as bolsas europeias acentuaram as perdas após a decisão e os juros dos bônus europeus se mantiveram em alta. O bund alemão atingiu máxima em oito anos. Este sentimento de cautela repercutiu em NY, ainda que de forma mais contida, com as bolsas por lá próximas da estabilidade.
No Brasil, os investidores começaram o pregão desta quinta-feira com a notícia da divulgação do IPCA de maio. O avanço de 0,47% na variação mensal, abaixo da mediana do mercado (+0,6%), trouxe alívio aos juros futuros. Este resultado reforçou a percepção que o ciclo de aperto monetário por aqui está próximo do fim, em meio a possibilidade de que o pico da inflação possa ter ficado para trás. Ainda assim, para a próxima decisão do Copom, que ocorrerá na quarta-feira da semana que vem, o mercado espera mais uma alta de 0,5 p.p., levando a Selic para o patamar de 13,25% a.a., seguido de mais um ajuste entre 0,25 e 0,5 p.p. na reunião seguinte.
O Ibovespa foi contaminado pelo exterior mais negativo e caminha para fechar o 5º pregão consecutivo de queda. Às 13h05, o Ibovespa era negociado aos 107.760 pontos, com queda de 0,56%. O dólar vs. real, por sua vez, opera volátil, próximo da estabilidade, cotado a R$ 4,89.
Dentre os setores, siderúrgicas e mineradoras devolvem parte dos ganhos, com investidores de olho na queda do preço do minério de ferro. A baixa do petróleo também penaliza petrolíferas. Por outro lado, o IPCA melhor que o esperado impulsiona alguns papeis do setor de construção civil. Varejo opera misto.