“No Brasil, a cautela global deve manter o sinal exibido na tarde de ontem, quando bolsa e câmbio se firmaram em terreno moderadamente negativo. Com isso, e diante da tendência de queda das commodities, o Ibovespa deve perder os 102 mil pontos, mas sem descuidar de possíveis mudanças de panorama lá fora”, disse Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria.
A agenda econômica do dia é mais fraca, o que tende a manter o investidor atento ao cenário internacional. Lá fora, um dos destaques será o discurso da presidente do Federal Reserve de Cleveland, Loretta Mester. A dirigente, que vota nas reuniões de política monetária do Fed, participa de evento às 14h. Os investidores buscarão em suas declarações qualquer sinal que indique se o BC americano irá mesmo moderar o tom na condução da política monetária, como foi percebido na semana passada.
No front interno, há ainda a expectativa pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que inicia hoje a sua reunião de dois dias. Há pouco, o IBGE divulgou que a produção industrial caiu 0,4% em junho ante maio, resultado inferior à mediana das estimativas de analistas captadas pelo Projeções Broadcast, que apontava recuo de 0,3% na atividade da indústria. O dado se soma a indicativos de inflação menor, como o IPC-Fipe, que Teive alta de 0,16% em julho, ante 0,28% em junho. O IPC-S Capitais mostrou desaceleração em todas as sete capitais pesquisadas pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
No ambiente político, o presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) hoje e afirmou que Alexandre de Moraes, magistrado da Corte, quer incriminá-lo. Moraes será empossado no próximo dia 16 presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e será o responsável pelas eleições, que têm a lisura atacada sem provas pelo chefe do Executivo.
Às 9h45, o futuro do índice Dow Jones tinha queda de 0,55%, enquanto o do S&P 500 e o do Nasdaq recuavam 0,69% e 0,93%. O dólar ganhava fôlego ante a maioria das moedas pelo mundo, incluindo o real, o que reforça a procura do investidor por ativos defensivos.