No jargão do mundo das finanças, os países com nota melhor ou igual a BBB- possuem o selo de Grau de Investimento. Antes que alguém pergunte “E daí ter ou não ter o Grau de Investimento”, ter este selo abre muitas portas para o país receber investimentos internacionais de grande monta.
Não ter o selo, porém, fecha estas mesmas portas.
O Brasil já teve o Grau de Investimento obtido em 2008 e, por conta de suas próprias decisões equivocadas, o perdeu em 2015. Não há menor chance de o Brasil recuperar este selo em um futuro próximo e a discussão deste tema sequer tem aparecido entre os formadores de opinião.
Em comparação com países próximos ao Brasil, o Chile tem Investment Grade ao passo que Colômbia, México, Peru e Uruguai possuem ratings melhores que o do Brasil.
Ratings considerando Grau de Investimento (A “Primeira Divisão” no mundo dos Investimentos)
| Moody’s |
Standard & Poor’s |
Fitch |
| Aaa |
AAA |
AAA |
| Aa1 |
AA+ |
AA+ |
| Aa2 |
AA |
AA |
| Aa3 |
AA- |
AA- |
| A1 |
A+ |
A+ |
| A2 |
A |
A |
| A3 |
A- |
A- |
| Baa1 |
BBB+ |
BBB+ |
| Baa2 |
BBB |
BBB |
| Baa3 |
BBB- |
BBB- |
Ao observar a Tabela 2 (abaixo), nosso rating BB- sequer nos posiciona no primeiro lugar dentro das notas de investimento da “Segunda Divisão” do mundo de investimentos. Percebam que precisaríamos evoluir de BB- para BB e depois de BB para BB+ para termos o título de “Campeão da Segunda Divisão” do mundo dos investimentos.
Note que os países que “ostentam” o Grau Especulativo emitem títulos de dívida pagando muito mais caro e são denominados high yield, eufemismo criado para disfarçar o high risk da operação.
Alguns chegam a chamar os títulos High Yield de Junk Bonds. Seja como for, portas são fechadas quando o país não tem o selo de Grau de Investimento e isso é ruim. Também não devemos desprezar o custo extra a ser carregado pela população pelo fato de o país sem grau de investimento ter que pagar taxas de juros mais altas para se financiar.
Ratings considerando Grau Especulativo (“Segunda Divisão” no mundo dos Investimentos)
| Moody’s |
Standard & Poor’s |
Fitch |
| Ba1 |
BB+ |
BB+ |
| Ba2 |
BB |
BB |
| Ba3 |
BB- |
BB- |
| B1 |
B+ |
B+ |
| B2 |
B |
B |
| B3 |
B- |
B- |
| Caa1 |
CCC+ |
CCC+ |
| Caa2 |
CCC |
CCC |
| Caa3 |
CCC- |
CCC- |
| Ca |
CC |
CC |
Muitos investidores internacionais graúdos possuem políticas de investimento que permitem minúsculas posições de alocação em países que não possuam o Investment Grade. Algumas políticas são tão drásticas que vedam o investimento em países sem o Grau de Investimento.
Para um investidor institucional gringo, o Brasil representa uma fatia minúscula da sua carteira global de investimentos. Na cabeça do típico investidor financeiro estrangeiro, qualquer um que aloque 100% do seu capital no Brasil é muito arrojado ou até insano.
Por fim, a recuperação do Grau de Investimento pelo Brasil é um tema em absoluto esquecimento e que deve voltar ao debate econômico.