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Bullard, do Fed, admite que se inclina por nova alta nos juros dos EUA

O dirigente disse que ainda não pode dizer que a inflação tenha atingido o pico

Por Wesley Sousa

18/08/2022 | 15:38 Atualização: 18/08/2022 | 15:34

Fachada do Federal Reserve, em Washington 16/09/2008 REUTERS/Jim YOUNG
Fachada do Federal Reserve, em Washington 16/09/2008 REUTERS/Jim YOUNG

(Estadão Conteúdo) – O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de St. Louis, James Bullard, afirmou nesta quinta-feira que “se inclina por uma alta de 75 pontos-base neste momento” nos juros, na próxima reunião do Fed, em setembro. Em entrevista ao Wall Street Journal, ele disse também que ainda não é possível afirmar que o pico do atual ciclo de inflação tenha passado.

Leia mais:
  • Diretora do Federal Reserve não vê que EUA caminha para recessão
  • Fed: inflação seguirá alta em nível desconfortável por ‘algum tempo’
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“Nós devemos continuar a nos mover rapidamente para um nível de política de juros que colocará pressão de baixa significativa sobre a inflação“, afirmou Bullard, com direito a voto nas decisões de política monetária neste ano. “Eu realmente não vejo por quê arrastar as altas de juros para o próximo ano”, acrescentou.

Bullard considera que os dados têm sido “relativamente bons”. Diante da inflação “muito elevada”, ele defende que “faz sentido continuar a elevar os juros, para o território restritivo”.

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O dirigente disse que ainda não pode dizer que a inflação tenha atingido o pico. Segundo ele, continua a ser importante que o Fed eleve os juros para a faixa de 3,75% a 4,00% até o fim deste ano, antes que o banco central possa considerar o que será necessário fazer em 2023. Ele disse também que vê um processo de “cerca de 18 meses” para levar a inflação de volta à meta do Fed, e previu que essa trajetória deve ser irregular, além de acrescentar que “temos um longo caminho para deixar a inflação sob controle”.

Bullard disse que a ideia de que a inflação atingiu o pico é “uma esperança”, mas não está confirmada de modo estatístico nos dados neste momento. Ele disse esperar que a inflação “se mostre mais persistente do que muitas partes de Wall Street acreditam”.

O dirigente comentou também que espera o quadro no crescimento nos EUA mais forte no segundo semestre, em comparação com a fraqueza vista nos seis primeiros meses do ano. Ele acredita ainda que o mercado de trabalho seguirá robusto. Bullard acredita que a taxa de desemprego pode recuar um pouco mais, dos 3,5% registrados em julho. Para ele, a taxa poderia subir e ainda assim o quadro no mercado de trabalho americano seguir robusto, pois a taxa de desemprego que tem um impacto neutro nas pressões sobre os preços deve estar na faixa de 4%.

A autoridade disse ainda que especulações no mercado sobre cortes de juros são “definitivamente prematuras”. E também considerou que os temores de que a economia possa entrar em uma recessão são exagerados.

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O dirigente ainda minimizou as indicações de que as condições do mercado financeiro têm relaxado, mesmo conforme o banco central eleva os juros. Um relaxamento nessas condições poderia, em tese, forçar o Fed a ser ainda mais agressivo nas mudanças futuras nos juros. Bullard comentou que os preços das ações possivelmente dão uma falsa impressão sobre o estado dos preços dos ativos em geral. Ele comentou que os preços das ações podem estar “longe dos fundamentos para algumas ações” e também que as ações não são um grande indicativo de como o Fed pensa sobre suas futuras escolhas na política monetária.

Fonte: Dow Jones Newswire

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