“Esse cenário externo não se mostra favorável neste começo de semana aqui, mas as atenções no doméstico ficam mais para essa reta final das eleições, para o primeiro turno. Fora isso, teremos informações relevantes do lado econômico, com a ata e o IPCA {além do RTI”, analisa Rodrigo Ashikawa, economista da Claritas.
“É uma semana muito complicada. Tem final, finalíssima das eleições. Certamente será uma semana muito dura”, estima o economista Álvaro Bandeira, também consultor de Finanças. Contudo, a desvalorização do Ibovespa é menos expressiva do que a baixa de 2,06% registrada na sexta-feira (111.716 pontos), à medida que os investidores esperam a agenda semanal ganhar tração. Porém, tem dificuldade em mirar os 111 mil pontos.
“É um começo negativo para os principais ativos de risco no âmbito internacional. O principal destaque ainda continua para a questão de política monetária global. O Fed na semana passada adotou tom duro após subir os juros, mostrando que essa taxa pode chegar a níveis elevados em relação ao que se tinha antes. Na Europa e na Ásia as notícias são um pouco mais negativas na margem, e o pacote fiscal do Reino Unido que traz pressão negativa para os ativos locais”, explica Ashikawa, da Claritas. Enquanto esperam novos sinais de política monetária – hoje falam dois dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) com direito a voto – o sinal é moderado nos mercados de ações do Ocidente. O petróleo tenta subir após recentes quedas. Já na Ásia, o recuo foi maior.
Mais cedo, presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde disse esperar aumentar ainda mais as taxas de juros nas próximas reuniões. “Melhor contribuição que podemos dar é assegurar estabilidade de preços.”
De todo modo, o sentimento é negativo. Na Europa, segue sensação de piora econômica e o mercado acompanha a libra, que atingiu mínima histórica durante a madrugada, pressionada pelo recente pacote fiscal do governo britânico.
Nos Estados Unidos, o Fed de Chicago informou que o índice de atividade nacional teve variação zero em agosto, após subir 0,29 em julho.
Neste cenário, a China continua atuando para impulsionar a atividade e para tentar sustentar sua moeda. “A desaceleração na China preocupa e o governo vem tomando medidas para estimular a economia, para impedir a desvalorização da sua moeda, indicando que fará recompra de ações. Há preocupações de uma desaceleração ampla, não só na China, mas no mundo”, avalia o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, em comentário. “Recessão é a palavra da vez junto com aumentos de juros promovidos por alguns bancos centrais no globo”, completa.
O mercado monitora ainda o resultado do setor externo de julho e a edição Resolução BCB nº 246 divulgada hoje. Na prática, a medida pretende reduzir os custos de operações com cartões pré-pagos e cartões de débito ao comerciante e ao consumidor final
Às 11h06, o Ibovespa caía 0,85%, aos 110.764,35 pontos, após ceder 1,28%, com mínima aos 110.287,02 pontos e abertura aos 111.712,70 pontos.