A China é o país que “desequilibra as expectativas de crescimento econômico global”, diz o Depec, citando flexibilização rápida e acentuada das restrições contra a covid-19. É possível que essa reversão leve a uma retomada expressiva no ritmo de crescimento econômico, considera. “No entanto, além de persistirem incertezas quanto ao processo de reabertura e à evolução da pandemia no país, a reabertura por si só não será suficiente para garantir um ritmo de crescimento extraordinário”, diz o texto. Os economistas ponderam que a demanda externa deve seguir enfraquecida, os estímulos monetários têm se mostrado pouco efetivos ao consumo privado, persistem desafios nos setores imobiliário e de crédito e as políticas fiscais do lado da oferta devem eventualmente sofrer algum nível de desidratação.
A esperada moderação nas pressões de preços nos próximos trimestres deve ser insuficiente para assegurar a convergência da inflação de volta ao centro das metas, diante da pressão mais persistente sobre os preços de serviços. “Esse componente, mais inercial, é o desafio da condução da política monetária em 2023 e pode exigir um esforço mais acentuado por parte dos bancos centrais, mantendo o patamar de juros em terreno restritivo por mais tempo.”
Para o Depec, o aperto monetário nos Estados Unidos e na zona do euro provavelmente vai se estender pelos primeiros meses de 2023, levando em conta o tom duro de seus respectivos BCs. O BC do Japão também promoveu um movimento mais duro para seus padrões históricos, ao ampliar as bandas de flutuação das taxas de juros de longo prazo, lembram. Entre os países emergentes, as taxas de juros devem permanecer elevadas por algum tempo.