A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2024 encerrou em 13,47%, de 13,48% ontem no ajuste, e a do DI janeiro de 2025, em 12,58%, de 12,51% ontem. O DI para janeiro de 2027 terminou com taxa de 12,45%, de 12,36% ontem. A taxa do DI janeiro de 2029 avançou de 12,47% para 12,55%.
Pela manhã, as taxas davam sequência ao alívio de prêmios visto ontem, alinhadas ao comportamento favorável do câmbio, com o dólar em baixa e chegando à casa dos R$ 5,06 nas mínimas do dia, no aguardo do desfecho da reunião que Lula teria com as centrais sindicais e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho. No começo da tarde, o recuo das taxas começou a perder força até que viraram para cima, assim como o dólar ante o real.
Um dos gatilhos foi o ambiente externo, ampliadas as tensões sobre a economia norte-americana, primeiramente com os dados fracos da inflação no atacado e de atividade nos Estados Unidos, abaixo do consenso. Num segundo momento, o efeito nos ativos se potencializou com Bullard defendendo que o Fed mova os juros “rapidamente” em direção aos 5%. “Preferimos errar pelo lado de mais aperto monetário”, disse Bullard.
Indicativo da busca pela segurança, o rendimento dos Treasuries de dez anos despencava a 3,37% no fim da tarde, ante nível de 3,54% ontem.
Mal o mercado digeria a piora externa, vieram as declarações de Lula, avaliadas como inconsistentes com o plano de ajuste fiscal da Fazenda. Lula garantiu que fará mudanças no Imposto de Renda, para aumentar a faixa de isenção a quem recebe até R$ 5 mil, e defendeu a política de valorização do salário mínimo atrelada ao crescimento da economia. “Vamos colocar o pobre no orçamento e o rico no Imposto de Renda”, afirmou.
O valor de R$ 1.302 será válido, a princípio, até maio, mas antes disso pode ser revisado, segundo Marinho. Um grupo de trabalho (GT) interministerial vai formatar a política de reajuste, que deve voltar a utilizar o crescimento da economia como métrica para correção acima da inflação. Um aumento para R$ 1.320, como consta no Orçamento aprovado pelo Congresso, a partir de maio traria impacto extra de R$ 4,3 bilhões em 2023 às contas públicas.
“Haddad vem usando um tom mais austero nas sinalizações em Davos, mas sabe-se que a última palavra não é dele. Lula quer gastar no modo tiro de canhão, enquanto o pacote de Haddad deve arrecadar a conta-gotas”, disse a economista-chefe da MAG Investimentos, Patricia Pereira, para quem as declarações do mandatário hoje tiveram caráter “populista”.