Na época, a empresa contábil havia aprovado sem ressalvas o balanço da empresa relativo ao ano de 2018, mas indicou que “deficiências significativas” foram encontradas nos controles relacionados aos processos de compras e acordos comerciais. O tema foi tratado como um assunto importante, já que o número de transações desse tipo era elevado e os valores negociados eram altos.
Os acordos eram realizados em contratos de parcerias com fornecedores. A prática, efetuada no curso normal das atividades, funciona como uma bonificação recebida pela empresa caso determinadas metas acordadas com fabricantes sejam cumpridas. Dessa forma, o bônus representa um redutor de custos.
Para averiguar as parcerias realizadas pela Americanas, a KPMG avaliou os desenhos dos sistemas de controles internos da varejista, assim como analisou as comunicações, correspondências e acordos formalizados com seus fornecedores.
“Durante a realização dos procedimentos de entendimento dos sistemas de controle interno da Companhia e a realização dos testes de desenho, identificamos a necessidade de melhorias nos controles internos, e por esta razão consideramos uma maior extensão em nossos procedimentos substantivos”, afirmou a auditoria em parecer que se encontra na página 104 das Demonstrações Financeiras Padronizadas relativas ao ano de 2018.
Mesmo com as deficiências notadas nos controles internos, a KPMG considerou aceitável o saldo registrado de acordos comerciais. O montante reconhecido como redutor de custos nas demonstrações financeiras também foi aprovado pela auditoria.
Ao final do documento, a KPMG afirmou que comunicou os responsáveis pela governança da Americanas sobre a questão. “Comunicamo-nos com os responsáveis pela governança a respeito, entre outros aspectos, do alcance planejado, da época da auditoria e das constatações significativas de auditoria, inclusive as eventuais deficiências significativas nos controles internos que identificamos durante nossos trabalhos”, disse.
A KPMG fez auditoria nos balanços da Americanas entre os anos de 2016 e 2018. Em 2019, a PwC foi contratada pela varejista e aprovou sem ressalvas os seus últimos balanços.