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Tempo Real

Com Haddad, Ibovespa vai ao piso do dia, abaixo de 105 mil

No cenário interno, a tributação dos combustíveis permanece na mira dos investidores

Por Luís Eduardo Leal

28/02/2023 | 17:38 Atualização: 28/02/2023 | 19:08

Foto: REUTERS/Amanda Perobelli
Foto: REUTERS/Amanda Perobelli

O Ibovespa balançou em ambas as direções ao sabor do grau de inclinação em Petrobras (ON -4,39%, PN -3,48%, ambas nas mínimas da sessão no fechamento) e encerrou o dia no menor nível desde 3 de janeiro, abaixo dos 105 mil pontos. Até as aguardadas explicações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre a reoneração dos combustíveis – que se fizeram acompanhar de mais pressão sobre o BC e o nível da Selic, na coletiva deste fim de tarde, e também na Petrobras, da qual se exigiu “mais transparência” -, o Ibovespa mostrava leves perdas, até 0,47%, quase no encerramento do dia.

Leia mais:
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Ao fim, a referência da B3 sinalizava piso da sessão no fechamento, em baixa de 0,74%, aos 104.931,93 pontos, saindo de máxima, mais cedo, aos 106.793,71 e de abertura aos 105.705,79 pontos. O giro, que se mantinha bem moderado como nas últimas sessões, fortaleceu-se no fechamento, aos R$ 29,9 bilhões. Em fevereiro, o Ibovespa teve perda de 7,49%, no que foi seu pior desempenho desde junho passado (-11,50%). Em janeiro, o índice tinha subido 3,37%. No ano, recua agora 4,38%.

O anúncio de redução, a partir de amanhã, nos preços da gasolina e do diesel já afetava o humor dos investidores, antes de Haddad. Mais cedo, por outro lado, as ações de Petrobras reagiam positivamente à divulgação de indicações de candidatos a membros do conselho de administração da empresa, parte dos quais com perfil técnico, o que agradou ao mercado, observa Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos. O sinal trazia então um viés mais favorável para a política de preços da estatal, no momento da reoneração dos combustíveis e das tratativas sobre a criação de um “colchão” para estabilização de preços.

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“Há uma margem para essa redução de preços anunciada para os combustíveis, e o governo precisa recompor receitas, o que justifica a reoneração. Não parece que haverá uma mudança radical na política de preços (da Petrobras)”, contrapõe Rodrigo Jolig, diretor de investimentos e co-CEO da Alphatree Capital. Para Jolig, a preocupação maior continua a ser o cenário externo, em que permanecem as dúvidas quanto à extensão do ciclo de elevação dos juros de referência nos Estados Unidos, o que afeta o apetite por renda variável em escala global.

“Muito difícil concorrer com uma taxa de Fed fund que pode chegar a 5,5% ou mesmo 6% ao ano, sem qualquer perspectiva de corte em 2023. Tem muita gente que jamais viu isso, habituada a juro americano no máximo a 2%. Num ambiente assim, difícil para a renda variável sair do ‘rema-rema’ que se vê agora, e isso no mundo todo”, acrescenta Jolig.

Assim, com foco total nos juros americanos, a abertura de ano marcada pela retomada de fluxo estrangeiro para a B3, com entusiasmo então sobre a reabertura econômica da China pós-política de Covid zero, dá lugar agora à saída de recursos externos, que haviam vindo para cá pela exposição da Bolsa brasileira a commodities. Somam-se a isso, no quadro doméstico, a expectativa para o anúncio, até o fim de março, do novo arcabouço fiscal e as movimentações do começo de governo, em que pressões sobre o BC e o nível da Selic, bem como o das metas de inflação, deram o tom.

“Ontem, a curva de juros havia respondido a um ambiente político que parecia mais balanceado entre as alas do governo com a reoneração dos combustíveis, mas permaneceram questões em aberto, ainda não muita claras”, sobre as quais o mercado aguardava esclarecimento na entrevista coletiva deste fim de tarde do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, observa Erminio Lucci, CEO da BGC Liquidez. Lá fora, por sua vez, segue em curso a “reprecificação de risco por conta dos últimos dados de inflação e emprego nos Estados Unidos, quanto à duração e intensidade do aperto de juros” na maior economia do mundo, acrescenta Lucci.

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Dessa forma, considerando a falta de ‘drivers’ domésticos e externos para induzir uma retomada na Bolsa, no momento em que os preços dos ativos seguem baixos por aqui, a “perspectiva de curto e médio prazo para o Ibovespa não é boa”, observa Lucci, lembrando que, no cenário interno, a atenção segue concentrada também no fiscal. Assim, caso surja até o fim do mês uma “âncora fiscal crível e efetiva, e que o mercado entenda que haverá um esforço de estabilização da relação dívida/PIB nos próximos anos”, tal desdobramento pode ajudar a Bolsa.

Em dólar, o Ibovespa encerrou o ano passado, no dia 29, aos 20.783,06. Em forte retração nas duas primeiras sessões de 2023, foi aos 19.105,61 pontos, com o dólar à vista atingindo no encerramento do dia 3 de janeiro o maior nível desde julho, na casa de R$ 5,45 – no fechamento de 3 de janeiro, o Ibovespa foi a 104.165,74. Hoje, a moeda americana fechou em alta de 0,34%, a R$ 5,2250, de forma que, em dólar, o Ibovespa encerrou o mês de fevereiro em 20.082,66 pontos, após ter fechado janeiro aos 22.343,36 pontos.

Na ponta do Ibovespa nesta última sessão do mês, destaque para Embraer (+3,17%), Suzano (+3,02%), Dexco (+2,68%) e Klabin (+2,37%), com PetroRio (-9,04%), Pão de Açúcar (-7,17%), CVC (-7,06%) e 3R Petroleum (-6,97%) no canto oposto. Entre as blue chips, Vale (ON +0,33%) e Gerdau PN (+1,52%) avançaram na sessão, apesar do sinal ainda negativo para o minério de ferro na China. Entre os grandes bancos, não houve direção única nesta terça-feira, com destaque, por um lado, para BB (ON +0,93%) e, por outro, para Santander Brasil (Unit -1,60%). De forma geral, as ações que subiam limitaram ganhos durante a entrevista de Haddad e as que caíam, amplificaram perdas, definindo o fechamento do Ibovespa na mínima do dia.

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