Os investidores podem ficar na retaguarda ainda em meio à ofensiva do governo contra o Banco Central. No sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar a manutenção da taxa Selic pelo Banco Central (BC) em 13,75% ao ano e afirmou que o presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, “não tem compromisso com o País e com a economia, mas tem compromisso com o outro governo, que o indicou, com aqueles que gostam de taxa de juros alta.”
A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de maio, que manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano, será dissecada pelo mercado amanhã (09), mas a maioria dos economistas acredita em início de corte do juro básico apenas em agosto ou setembro depois do comunicado da última semana.
Índices de inflação, como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no Brasil e os Índices de Preços ao Consumidor (CPIs) nos Estados Unidos, Alemanha e China, além de confiança do consumidor americano e balanços dos bancos First Citizens Bank, ING e Société Généralle, devem nortear ainda as expectativas sobre a atividade econômica e os próximos passos dos bancos centrais.
Nesse contexto, discursos de vários dirigentes do Federal Reserve (Fed, o Banco central americano) e do Banco Central Europeu (BCE) serão monitorados de perto. O Banco da Inglaterra (BoE) divulgará decisão de juros, após o Fed e o BCE apertarem as taxas na semana passada e a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) publica relatório mensal de petróleo. Também está previsto o encontro de ministros das Finanças e banqueiros centrais do G7 (grupo dos países mais industrializados do mundo), com participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no Japão.
Nesta segunda-feira (08), predominam sinais positivos nas bolsas lá fora, à exceção de leve baixa do Nasdaq entre os índices futuros em Nova York, após as bolsas de Nova York subirem com vigor na sexta-feira (05), recuperando-se parcialmente de perdas acumuladas nos quatro dias anteriores. O rali decorreu de um alívio em preocupações com o setor bancário dos EUA e em reação a números melhores do que o esperado do mercado de trabalho americano e do último balanço da Apple.
Os ganhos em Wall Street nesta manhã são sustentados pela alta de mais de 13% no pré-mercado da ação do PacWest Bancorp, um dos bancos regionais dos EUA mais castigados pela recente turbulência no setor bancário do país, após a instituição afirmar no fim da sexta-feira que irá reduzir seu dividendo. A Fitch colocou o rating do PacWest sob observação negativa, indicando alta probabilidade de uma ação de rebaixamento no curto prazo.
O dólar exibe viés de baixa ante divisas rivais e várias emergentes ligadas a commodities, enquanto os retornos dos Treasuries (títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano) estão mistos à medida que as incertezas com bancos regionais americanos e as negociações sobre o teto da dívida mantêm vivas expectativas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) corte suas taxas de juros em breve.
Agenda
O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de abril (8h) e o boletim Focus (8h25) serão publicados hoje; a ata da reunião do Copom de maio, nesta terça-feira; a produção industrial do País em março, na quarta-feira; e o IPCA de abril, na sexta-feira. O presidente Lula lança o novo programa “Brasil Sorridente” nesta segunda-feira.
Os CPIs de Estados Unidos, Alemanha e China serão publicados na quarta-feira; a decisão de juros do Banco da Inglaterra (BoE), o PPI americano e o relatório mensal da Opep, na quinta-feira; além do índice de sentimento do consumidor preliminar de maio e as expectativas de inflação da Universidade de Michigan, na sexta-feira.
Vários dirigentes do Federal Reserve participam de eventos nos próximos dias, como o diretor Philip Jefferson e John Williams, de NY, na terça; Christopher Waller, na quinta; e James Bullard,
de St. Louis, na sexta-feira.
Na Europa, estão previstos comentários de membros do BCE, Philip Lane (hoje e terça-feira), Isabel Schnabel (terça e quinta) e do vice-presidente, Luis de Guindos (quinta e sexta-feira). A Telefónica Espanha (terça) e os bancos First Citzens Bank (quarta), ING (quinta) e Société Générale (sexta-feira) publicam balanços do primeiro trimestre.
* Com informações do Broadcast