Nesta quarta-feira, o Ibovespa oscilou entre mínima de 108.546,09 (-1,26%) e máxima de 109.919,92 pontos, correspondente à abertura, para fechar a sessão em baixa de 1,03%, aos 108.799,54 pontos. O giro voltou a se suavizar, a R$ 23,2 bilhões. Na semana, o Ibovespa recua 1,76%, moderando os ganhos do mês a 4,18%. Com o desempenho de hoje, volta a terreno negativo no ano, em baixa de 0,85%.
Com a preocupação persistente em torno da elevação do teto da dívida americana, e a aproximação do prazo final de 1º de junho para evitar default, a ata da mais recente reunião do Federal Reserve, divulgada à tarde, acabou sendo recebida quase como um não evento pelos investidores.
Alguns dirigentes do Fed enfatizaram ser crucial indicar que a linguagem utilizada no comunicado sobre a mais recente reunião não deve ser interpretada como sinal de que reduções nos juros são prováveis este ano – ou que novos aumentos nas taxas de juros tenham sido descartados. Segundo a ata, os participantes da reunião, em geral, expressaram incerteza quanto ao grau de aperto que pode ser ainda apropriado à política monetária dos Estados Unidos.
“A ata da reunião reforça a visão de que as decisões da autoridade monetária sobre a taxa de juros serão feitas de reunião em reunião, a depender da evolução dos dados de inflação, atividade econômica e mercado”, aponta Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research. “Como ainda há riscos altistas para a inflação, muitos participantes sinalizam a importância de deixar a opção de novas altas nos juros em aberto”, acrescenta o economista, observando que a taxa de juros americana deve permanecer no pico “por um bom tempo até que a inflação dê sinais de convergência para a meta de longo prazo, de 2% ao ano.”
Também no foco da atenção global nesta quarta-feira, o presidente da Câmara dos Representantes, Kevin McCarthy, disse hoje que acredita “firmemente” na resolução da disputa, apesar da persistência de divergências com o governo democrata. Segundo ele, há chance de “progresso” nas negociações, ainda nesta quarta-feira. Mesmo com o voto de confiança dado pelo líder republicano, os índices de ações em Nova York buscaram mínimas da sessão, mas depois mostraram alguma acomodação, com perdas em torno de 0,8% no meio da tarde. No fechamento do dia, Dow Jones cedia 0,77%, S&P 500, 0,73%, e Nasdaq, 0,61%.
“O Ibovespa vinha em recuperação linear, olhando para os 110 mil pontos como uma área de descanso. A cautela externa se estende às commodities, a que nossa Bolsa tem grande exposição, com o minério em queda mais forte nas últimas sessões, refletindo incertezas sobre a demanda chinesa, além das questões sobre a dívida nos Estados Unidos. Assim, há uma realização de lucros natural, acompanhando o exterior, após o Ibovespa ter avançado mesmo quebrando a correlação com índices de fora – e agora há um ajuste, um realinhamento”, diz Rodrigo Ferreira, líder de alocação da Manchester Investimentos.
“Ambiente externo um pouco mais complicado com a aproximação da data-limite para evitar default nos Estados Unidos, e o Ibovespa emendando agora perdas, após ter vindo de uma sequência muito boa, em que chegou a registrar 10 altas em 11 pregões, devolvendo no momento um pouco desses ganhos. Mercado se mantém apreensivo enquanto não vem uma solução para o teto da dívida nos Estados Unidos, o que prevaleceu hoje na Bolsa, acima da aprovação do arcabouço fiscal na Câmara, em Brasília”, diz Wagner Varejão, especialista da Valor Investimentos.
Ainda assim, o Ibovespa pôde contar, como fator mitigador de perdas na sessão, com o bom desempenho das ações de Petrobras (ON +1,09%, PN +1,52%), embora um pouco defasado em relação ao avanço perto de 2% para os barris do Brent e do WTI nesta quarta-feira, após dados semanais que mostraram queda forte nos estoques dos Estados Unidos, divulgados ainda pela manhã.
Entre as ações e os setores de maior peso e liquidez na B3, as perdas entre os grandes bancos chegaram a 3,05% (Bradesco PN) no fechamento, em sessão também ruim para Vale (ON -2,27%) após novo tombo nos preços do minério na China (Dalian), hoje de 4,61%, agora abaixo de US$ 100 por tonelada, a US$ 96,97. Além de Vale, outros nomes do setor metálico sofreram na sessão, com destaque para CSN ON (-3,81%). Na ponta negativa do Ibovespa, CVC (-7,57%), Dexco (-6,40%) e BRF (-5,55%), com Petz (+2,74%), Méliuz (+2,38%) e BB Seguridade (+1,95%) no canto oposto.