A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2024 fechou em 12,99%, menor desde 17/3/2023 (12,97%), de 13,02% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2025 caiu de 11,07% para 11,05%. O DI para janeiro de 2027 encerrou com taxa de 10,53% (10,50% no ajuste) e a do DI para janeiro de 2029 fechou em 10,90%, de 10,84%.
Depois de encerrar a última semana devolvendo entre 20 e 40 pontos-base em prêmios, o mercado até tentou realizar parte dos ganhos nesta segunda-feira, mas esbarrou em alguns vetores que inibiram um movimento firme.
Pela manhã, estimulou um viés de baixa na curva o recuo das medianas de inflação no Boletim Focus, especialmente as de 2025 (4,00% para 3,90%) e 2026 (4,00% para 3,88%), as mais resistentes em cair, o que foi por um bom tempo motivo de alerta por parte do Banco Central para justificar uma postura mais cautelosa na condução da Selic.
À tarde, as declarações de Campos Neto, em evento do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), formaram outra barreira para um ajuste em alta das taxas, por mais que o mercado já viesse aumentando as apostas no corte da Selic e numa taxa terminal mais baixa.
Além de destacar a evolução das expectativas futuras e a queda da inflação corrente, lembrando em que junho o IPCA deve ser negativo, ele ressaltou o alívio da curva de juros com a melhora do quadro fiscal. “O mercado de juro futuro caiu mais de 3% desde que o arcabouço fiscal foi anunciado. Com isso a expectativa de inflação começou a cair, abrindo um ambiente para trabalharmos com um juro mais baixo em algum momento à frente”, apontou, acrescentando que “a expectativa do mercado sobre os juros está indo na direção correta.”
Nas mesas de renda fixa, a percepção é de que Campos Neto emitiu um sinal claro de que a ideia é ajustar a comunicação no Copom de junho para, na sequência, em agosto, inaugurar o ciclo de distensão monetária. A dúvida é justamente saber se o processo começará com 25 ou 50 pontos-base, aposta esta que passou a ser precificada desde o fim da semana passada. O sócio-gestor e economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho, diz não ver o BC iniciando a queda da Selic com 50 pontos. “A sazonalidade deve beneficiar uma inflação média mais próxima da estabilidade entre junho e agosto. Por outro lado, o déficit fiscal primário deve superar 0,5% do PIB em 2023, pois diversas ações administrativas do governo, em particular de corte de subsídios e incentivos, serão de difícil adoção”, justifica.
Na curva, porém, estão precificados 27 pontos-base de corte em agosto, ou seja 10% de chance de redução de 50 pontos e 90% de probabilidade de que seja de 25 pontos. Para o fim de 2023, a curva projeta taxa entre 11,75% e 12,00% e para dezembro de 2024, 9,25%.
Juntamente com as medianas do Boletim Focus, índices de inflação que saíram pela manhã ajudaram a limitar a correção da curva. A primeira prévia do IGP-M de junho aprofundou a queda a 1,95%, de 1,13% em igual medição de maio. Já o IPC-S da primeira quadrissemana de junho trouxe inflação zero, após subir 0,08% no fechamento de maio.
À tarde, as taxas chegaram a virar para cima, na esteira da cautela estimulado pela cautela antes do dado da inflação nos EUA amanhã e das decisões de política monetária do Federal Reserve, do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco do Japão. Além disso, os juros dos Treasuries subiram, o que acaba sendo uma referência para a curva aqui.