A fraqueza da atividade mundial retratada em PMIs divulgados na Europa e no Japão, em um momento de inflação ainda persistente, deixam os investidores parcimoniosos, dado que o arrefecimento tende a reforçar políticas monetárias mais apertadas por um tempo maior do que o imaginado.
Os índices de ações caem no ocidente e também cederam na Ásia. Na zona do euro, o PMI composto cedeu a 50,3, ficando aquém do esperado pelo mercado (52,5). Agora, fica a expectativa pelo PMI dos EUA e por falas de dirigentes do Fed, em meio ao crescimento de estimativas de recessão em algumas partes do globo.
Em depoimento no Congresso nesta semana, o presidente do Fed, Jerome Powell, reforçou que a instituição pretende retomar aumentos de juros antes do fim do ano.
No Brasil
O clima desfavorável dos mercados internacionais tende a se espalhar nos ativos domésticos, que podem dar continuidade aos ajustes de ontem após o comunicado menos dovish (termo atrelado à redução da taxa de juros para aquecer a economia) do Comitê de Política Monetária (Copom), na quarta-feira (21). A maioria do mercado espera início do corte da Selic em setembro, mas sem descartar agosto.
Ao ser questionado sobre o assunto, o economista Gabriel Galípolo, indicado para a diretoria de Política Monetária do Banco Central (BC), se esquivou de tecer comentários sobre o tema. À BandNews, afirmou que sua escolha para o BC simboliza o desejo de tentar construir uma ponte e permitir harmonia.
A queda perto de 1,00% do petróleo e do minério de ferro – fechou em baixa de 0,99% em Dalian, na China – deve pesar por aqui. A expectativa de queda do câmbio, dos juros futuros e do Ibovespa ainda é reforçada na agenda esvaziada no Brasil. Com isso, o Índice Bovespa pode interromper uma série de oito altas semanais seguidas, enquanto o dólar reforçar a queda da semana passada.
Agenda
O índice de gerentes de compras (PMI) dos Estados Unidos será divulgado às 10h45. Três dirigentes do Fed discursam. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, seguem em Paris.
No Brasil, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, concederá entrevista (14h).
*Com informação do Broadcast