Além da liquidez, um termômetro da fraqueza de negócios no mercado de câmbio pode ser visto na variação intradia da moeda americana. Entre a máxima (R$ 4,8502) e a mínima (R$ 4,7987), o dólar à vista andou pouco mais de 5 centavos, margem bastante estreita como tem sido vista no segmento nos últimos dias.
Via de regra, operadores têm relatado que falta ao câmbio um catalisador para movimentos mais robustos ou quebra de níveis de resistência. A divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) da China neste domingo parecia ser um evento a causar movimentos mais contundentes, mas passado o susto inicial – com a cotação migrando para os R$ 4,85 -, o mercado como um todo passou por um arrefecimento.
Analistas chamam a atenção para a possibilidade de a China despejar mais estímulos à atividade econômica ao longo do segundo semestre, caso do analista de mercados para Reino Unido, Europa, Oriente Médio e Ásia da Oanda, Craig Erlam.
Já o economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), Robin Brooks, observa que os principais países latinoamericanos veem entrada de Investimento Estrangeiro Direto (IED) justamente por causa da desaceleração econômica chinesa. “A América Latina é a grande vencedora em um mundo cada vez mais cauteloso com a China”, escreveu hoje, no Twitter.
O mercado cambial observou ainda dados da balança comercial brasileira. Entre os dias 10 e 16 de julho, houve superávit de US$ 1,559 bilhão, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Nos próximos dias, os agentes devem observar efeitos da suspensão da importação de produtos avícolas de Santa Catarina pelo Japão após a confirmação de caso de gripe aviária. Entre as commodities agrícolas, o dia também foi de queda majoritária, com o mercado de olho no abandono do acordo de exportação de grãos do Mar Negro pela Rússia.