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Como a possível reeleição de Trump em 2024 afeta o investidor brasileiro

Política protecionista do candidato republicano pode prejudicar exportação por parte de empresas brasileiras.

Por Stephanie Tondo

16/11/2023 | 14:27 Atualização: 16/11/2023 | 15:27

O ex-presidente norte-americano, Donald Trump (Chris Kleponis/EFE)
O ex-presidente norte-americano, Donald Trump (Chris Kleponis/EFE)

O ex-presidente norte-americano Donald Trump está liderando a corrida presidencial em cinco dos seis estados mais importantes para determinar os resultados das eleições no país, que acontecem em novembro de 2024. Apesar de ser cedo para prever os desdobramentos da política econômica do candidato republicano, analistas ouvidos pelo E-Investidor acreditam que uma eventual reeleição de Trump pode ter impactos no real e na Bolsa brasileira.

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Pesquisa divulgada em 29 de outubro e publicada pela Reuters mostrou que Trump está à frente do rival Joe Biden nos estados de Arizona, Geórgia, Michigan, Nevada e Pensilvânia, enquanto o candidato democrata e atual presidente dos Estados Unidos lidera no Wisconsin. Esses lugares são conhecidos como estados-chave, e costumam decidir as eleições americanas.

William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, afirma que a eleição de Trump poderia aumentar o sentimento de incertezas, gerando volatilidade no mercado, o que desfavorece moedas emergentes como o real. Além disso, o candidato republicano tem sinalizado na direção de uma política econômica mais protecionista, o que pode prejudicar a exportação por parte de alguns setores importantes da Bolsa brasileira.

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“Trump fala em ser bastante aguerrido na política comercial. Por exemplo, colocar uma tributação de 10% sobre importações. Em geral, o que o Trump está endereçando não são as relações comerciais com o Brasil, mas sim com a China. Mas poderia dificultar alguns setores da economia brasileira, como a agricultura, onde o Brasil é mais competitivo”, avalia Alves.

O estrategista-chefe pondera que Trump tende a defender a produção de petróleo, e pode tirar incentivos para carros elétricos e para a indústria de energia renovável. Essa característica poderia beneficiar o Brasil, considerando que o País é um dos maiores produtores de petróleo do mundo e pode ganhar ainda mais importância caso a guerra no Oriente Médio avance.

Outra medida que tem sido citada na campanha do ex-presidente Trump é a redução da carga tributária para companhias locais. Para Fabrício Gonçalvez, CEO da Box Asset Management, caso o candidato conseguisse reduzir os impostos no país, poderia haver aumento da inflação. Isso poderia fazer com que o Federal Reserve (Fed) tivesse que aumentar as taxas de juros para conter a alta de preços.

Taxas de juros mais altas nos Estados Unidos tornam o país mais atrativo para os investidores, especialmente considerando a tendência de corte da taxa Selic no Brasil. Considerando que a volatilidade é maior por aqui, os investidores tendem a preferir economias mais estáveis que ofereçam uma melhor relação entre risco e retorno.

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“É importante ressaltar que o mercado é altamente complexo e influenciado por uma variedade de fatores, não apenas políticos”, pondera Gonçalvez.

As diferenças políticas e ideológicas entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também pode ter impactos negativos nas empresas nacionais.

“É bem verdade que existe um certo antagonismo de pensamento, de princípios, do Trump com o atual governo. Talvez as relações possam ficar um pouco estremecidas. E aí o Brasil vai ter que adotar uma postura mais pragmática, porque é interessante negociar com os Estados Unidos e manter o diálogo aberto”, destaca Alves, da Avenue.

 

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