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Investimentos

Telefônica (VIVT3) e Tim (TIMS3) engordam dividendos e brilham na Bolsa

Com cenário setorial otimista, companhias elevam remuneração e atraem investidores; qual é a melhor opção?

Por Katherine Rivas

27/11/2023 | 3:00 Atualização: 24/11/2023 | 22:18

 (Fonte: Shutterstock/Reprodução)
(Fonte: Shutterstock/Reprodução)

O setor de telecomunicações sempre foi conhecido pela sua perenidade, mas nas últimas semanas ganhou holofotes. Diante de resultados trimestrais robustos e iniciativas das empresas para elevar a remuneração dos acionistas, investidores focados em gerar renda passiva têm olhado o segmento como uma alternativa.

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Leia também: Como empresas de telecom podem se tornar novas estrelas dos dividendos

De um lado, temos uma gigante com R$ 87,187 bilhões de valor de mercado, com tradição e que há mais de dez anos distribui em média 90% ou mais do seu lucro líquido em proventos. Do outro, uma companhia em expansão, com R$ 40,500 bilhões em valor de mercado e que embora não tenha anunciado uma política formal de dividendos, segundo analistas está pronta para pagar proventos mais elevados em 2024.

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Quem será a vencedora do setor? O E-investidor consultou agentes de mercado e apresenta os detalhes a seguir:

VIVT3: remuneração agressiva

Há 25 anos listada na bolsa brasileira, a Telefônica Brasil (VIVT3), dona da marca Vivo, já se enquadrava no perfil de uma “vaca leiteira” – empresa que paga muitos dividendos. Segundo Cleide Rodrigues, analista-chefe da Money Wise Research, nos últimos dez anos a companhia teve um dividend yield (retorno em dividendos) médio superior a 7%, reforçando sua posição como opção atrativa para investidores que buscam retornos consistentes e significativos.

Mas recentemente a companhia embarcou em um plano mais ousado: distribuir 100% do seu lucro líquido entre 2024 e 2026, seja com dividendos, juros sobre capital próprio, reduções de capital ou recompras de ações.

Para Rodrigues, a estratégia da Vivo é agressiva, mas se a empresa conseguir manter o seu crescimento e eficiência operacional, a abordagem pode ser sustentável e positiva para os investidores, além de reforçar a imagem da companhia como uma escolha atraente.

A analista pontua que a Vivo teve um crescimento consistente em suas receitas e margens, mas que a sustentabilidade dessa decisão dependerá da capacidade da empresa de manter seu desempenho financeiro e de continuar gerando lucro nos próximos anos. “Também é importante considerar possíveis mudanças no cenário econômico e no mercado de telecomunicações”, adverte.

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Entre as vantagens de investir na Vivo, Rodrigues destaca a robustez do seu desempenho no mercado, um indicativo confiável para investidores que buscam retornos consistentes. Apenas no terceiro trimestre de 2023, a companhia reportou lucro líquido de R$ 1,472 bilhão, alta de 2,2% frente ao mesmo período em 2022. O endividamento foi de R$ 12,7 bilhões, com indicador dívida líquida/ebitda de 0,6%.

Entre os riscos, a analista cita o cenário econômico, onde um eventual aumento da inflação, poderia impactar nos custos operacionais da companhia, diminuindo os lucros e os proventos –  embora não seja a perspectiva predominante no momento.  Rodrigues tem recomendação de compra para ação VIVT3 para quem busca dividendos e valorização. O dividend yield projetado para 2024 pela Money Wise Research é de 8%, podendo ser superior. O preço justo para o final do próximo ano é de R$ 56.

Para Marco Nardini, analista de Telecomunicações, Mídia e Tech da XP, os resultados da Vivo no terceiro trimestre superaram as expectativas do mercado em todas as linhas e segmentos. O analista está otimista com os fundamentos da companhia que, na visão dele, combina defensividade, dividendos e fluxo de caixa crescente.

“A Vivo acelerou significativamente seu crescimento orgânico por meio de uma sólida execução, após a consolidação no setor de telefonia móvel. Além disso, a empresa agora acelerou o seu crescimento em fibra, combinando a expansão de acesso com o aumento de ARPU – gasto de cliente por período”, afirma Nardini. A XP também tem recomendação de compra para as ações VIVT3, com dividend yield projetado de 6,5% para 2024.

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Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, cita alguns diferenciais da Vivo frente a sua concorrente Tim que garantem a fidelidade do cliente e maior resiliência da receita da empresa. É o caso dos pacotes de combo, que incluem além de serviço móvel, telefone pós-pago e banda larga fibra. “Quando você tem esse tipo de pacote, por mais que seja mais vantajoso para o cliente e um pouco menos rentável para a operadora, você tem um público muito mais fiel, e você diminui o seu churn (taxa de cancelamento) e passa a focar na agregação de valor”, explica.

Para Arbetman, esta estratégia de associação de serviços tem sido perceptível na Vivo, ampliando possibilidades de rentabilidade.

Ele também destaca as reduções de capital que a companhia pode vir a fazer. Recentemente, a Vivo anunciou que fará uma redução de capital de R$ 1,5 bilhão – sem o cancelamento de ações apenas restituindo valores para os investidores-  que será paga em uma única parcela até 31 de julho de 2024. Arbetman lembra ainda que a companhia tem um capital social de R$ 63,571 bilhões e tem espaço para fazer outras reduções até o valor máximo de R$ 5 bilhões.

“Isso gera valor para os investidores, porque a companhia transfere recursos do balanço da empresa para o bolso dos acionistas”, destaca o analista. A projeção de dividend yield para VIVT3 em 2024 é de 12%, já considerando a redução de capital.

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Para Eduardo Siqueira, analista de Telecom da Guide Investimentos, apenas com a redução de R$ 1,5 bilhão o dividend yield da VIVT3 garantido para 2024 é de entre 9% e 10%.

“O compromisso da companhia de pagar 100% do lucro líquido até 2026 prova um pouco como esse patrimônio é mais do que suficiente para que ela consiga rodar a operação. Então é uma companhia redonda e não à toa foi um dos destaques do Ibovespa no último mês”, pontua Siqueira.

Ele destaca que mesmo sendo uma companhia defensiva, com previsibilidade de receita, a Vivo é uma empresa em um setor consolidado, que consegue repassar a inflação.

TIMS3: buscando ser a nova favorita

Segundo os analistas consultados pelo E-investidor, a Tim (TIMS3) não possui uma política de dividendos definida no seu estatuto e nos últimos dez anos seu payout médio (parcela do lucro líquido destinada a proventos) foi de 41,22%, segundo dados da Status Invest, menos da metade do que da Vivo.

Em tempo de vida, a companhia também é muito mais nova do que a concorrente, com apenas 12 anos de listagem na B3. Embora pingue um ou outro dividendo na conta do investidor, muitos enxergavam a Tim como uma alternativa de valorização nos últimos anos. Mas uma alteração recente feita pela companhia, alertou sobre a possibilidade de ser considerada também uma opção atrativa para proventos.

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A Tim divulgou em novembro uma atualização sobre suas projeções para seu Plano Estratégico 2023-2025 onde elevava os proventos para este ano em R$ 600 milhões, passando de R$ 2,3 bilhões para R$ 2,9 bilhões, por conta da captura de sinergias com aquisição de ativos da Oi e resultados financeiros da empresa no terceiro trimestre.

Para Arbetman, da Ativa, a preferência pela Tim é para ganho de capital, mas há boas chances de que ela se torne uma boa pagadora de proventos em 2024. “Pelas potencialidades do setor, avenidas de crescimento em banda larga e pós-pago, a Tim tem capacidade de entregar um yield muito elevado no próximo ano”, afirma.

Segundo o analista, a Tim se diferencia como grande beneficiária da incorporação de clientes da Huawei, e por ser a companhia que colocou mais infraestrutura para dentro, com qualidade no 4G, fechando a distância que tinha com os pares. “Quando você compara com outras companhias do setor, a Tim hoje tem uma rentabilidade maior e um churn (taxa de cancelamento) maior também”, pontua.

Arbetman projeta um dividend yield de 9% para TIMS3 em 2024.

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Embora muitos analistas prefiram a Vivo, para a XP a preferência é clara, mantendo a Tim como Top Pick do setor.

Os dividendos estimados para 2024, também são de 6,5%, como no caso do projetado para a Vivo pela XP, contudo Nardini esclarece que a preferência é pela TIMS3 por ver uma assimetria maior no valuation (avaliação) e porque tem um potencial de alta significativo através de sinergias com aquisição da Oi. “Ela também se beneficia por não ter legado, como rede de cobre, que são detratores de margens”, diz.

A XP enxergou de forma positiva o aumento de dividendos de R$ 600 milhões que elevou o dividend yield em 1,5 p.p. “A Tim tem aumentado muito a sua geração de caixa e a distribuição de dividendos tem crescido de forma consistente”, destaca.

Para Nardini, o objetivo da empresa é alcançar um crescimento das receitas acima da inflação, mantendo a disciplina na gestão dos custos de caixa. “Esta abordagem deverá conduzir a uma expansão do Fluxo de Caixa Livre Operacional e melhorar o Retorno sobre o Capital Investido ao longo do tempo, o que consideramos positivo”, diz.

Para Rodrigues, o assunto é claro e não dá para comparar a Tim, que representa metade do valor de mercado da concorrente, com a Vivo. “Em termos de escala e estabilidade financeira, a Vivo é substancialmente maior do que a Tim”.

Segundo ela, se observado o histórico das companhias as projeções para os próximos anos estariam perto de 3%, enquanto a Vivo supera com facilidade os 6%. “A Vivo emerge como uma opção consideravelmente mais atrativa para investidores focados em dividendos”, defende.

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