Segundo um levantamento da Ágora Investimento, as ações do Grupo Casas Bahia (BAHI3) lideraram as perdas do ibovespa com uma desvalorização de 15,7% no acumulado mensal. A companhia enfrenta uma crise financeira que ganhou os holofotes do mercado após a operação mal sucedida um follow on que arrecadou apenas R$ 622,9 milhões em setembro deste ano.
A expectativa era captar R$ 1 bilhão por meio da oferta de ações. O cenário desafiador para o setor do varejo e números trimestrais pressionados contribuíram ainda mais para o papel liderar as maiores perdas do IBOV. “A companhia chegou a ver suas ações se tornarem penny stocks (ou seja, ação que vale centavos). Assim, o grupo varejista decidiu pelo grupamento de suas ações para evitar uma saída do Ibovesoa, mas o movimento não evitou um aumento da pressão vendedora”, informou a Ágora Investimentos.
As ações da 3R Petroleum (RRRP3) também apareceram no ranking das maiores perdas do Ibovespa neste mês, com um desempenho negativo de 12,3%. Segundo Larissa Quaresma, analista da Empiricus Research, a queda de 3% do barril de petróleo e a queda de 2% do dólar no mês pressionaram as petroleiras de forma geral em dezembro. “As reduções de preços de combustíveis pela Petrobras pode ter aumentado a pressão sobre as ações da 3R, pela exposição desta ao setor de refino”, avalia Quaresma.
O movimento negativo das ações da São Martinho (SMTO3) em torno de 11,5% também é um reflexo da precificação de commodities no exterior. Ao longo de dezembro, o preço do açúcar recuou no mercado, o que trouxe pessimismo para o papel. No entanto, alguns eventos devem favorecer o desempenho das ações da São Martinho nas próximas semanas.
Rilton Brum, head da mesa de tenda variável da RJ+Investimentos, explica que, nesta semana, foi divulgado ao mercado a precificação das terras próprias da empresa com um valuation de R$ 6,3 bilhões. O volume representa uma alta de 31% em comparação a mesma precificação de 2021. “A composição do diesel em relação a biodiesel também deve contar a favor da empresa, que possui múltiplos atrativos vs os pares do setor (e recomendação de compra por diversas casas), prevendo uma possível recuperação no valor da ação em 2024”, avalia o especialista.
Os papéis do IRB (IRBR3) e da BRF (BRFS3) também entraram no ranking das maiores baixas do Ibovespa com quedas de 12,3% e de 5,8%, respectivamente.