Com máxima a 10,075%, DI para janeiro de 2025 fechou a 10,03%, ante 9,99% na sessão anterior. O DI para janeiro de 2027 subiu de 9,635% para 9,72%. E DI para janeiro de 2029, que tocou 10,11%, terminou em 10,07%, ante 9,996% no ajuste anterior.
As taxas apresentaram entre 20 e 50 pontos-base de redução ante o fechamento de novembro. Em 2023, a curva a termo mostrou um alívio geral de mais de 250 pontos-base. Parte expressiva da queima de prêmios é atribuída ao desafogo no ambiente externo no último trimestre, quando a inflação deu sinais de arrefecimento nos EUA e investidores passaram a vislumbrar o início de um processo de corte da taxa básica americana pelo Federal Reserve no primeiro semestre de 2024.
Fatores internos, contudo, também contribuíram para a redução das taxas futuras neste ano. Houve aprovação do novo arcabouço fiscal, em substituição ao teto de gastos, o que eliminou, nas palavras do próprio presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o chamado “risco de cauda” das contas públicas – ou seja, a perspectiva de uma trajetória explosiva de endividamento. Esse quadro ensejou elevação da nota de crédito brasileira por agências de classificação de risco como Fitch e S&P, embora o País ainda esteja longe de recuperar o grau de investimento. A reforma tributária passou no Congresso, após três décadas de espera.
Com a nova regra fiscal e a apreciação do real, as expectativas de inflação de longo prazo caíram e os índices correntes apresentaram desaceleração, o que abriu espaço para o Banco Central iniciar um processo de corte de juros. Embora tenha provocado alta dos DIs, a leitura do IPCA-15 de dezembro hoje cedo não desmontou as apostas de mais cortes seguidos da taxa Selic em 0,50 ponto porcentual e taxa terminal próxima de 9%. Houve, contudo, diminuição das apostas de que o BC pudesse acelerar o passo no primeiro trimestre de 2024, com uma redução da taxa básica em 0,75 ponto porcentual.
O IPCA-15 acelerou de 0,33% em novembro para 0,40% em dezembro, superando o teto da estimativas de analistas consultados pelo Projeções Broadcast (0,35%). A mediana era de 0,25%. Com o resultado anunciado hoje, o IPCA-15 acumulou um aumento de 4,72% no ano de 2023, pouco aquém do teto da meta, de 4,75%, também superando as expectativas.
A despeito da percepção de deterioração do qualitativo do IPCA-15, a economista-chefe da B.Side Investimentos, Helena Veronese, afirma que o cenário de arrefecimento da inflação não foi alterado. “Não muda o plano de voo do Banco Central. O que pode acontecer é o mercado deixar de lado o debate em torno de uma aceleração do ritmo de corte dos juros”, diz Veronese, que estima Selic em 9,75% no fim de 2024, mas a projeção tem viés de baixa.
Após o IPCA-15 de dezembro, a equipe econômica da Warren Investimentos elevou a projeção para a taxa de inflação fechada deste mês. A estimativa para o IPCA de dezembro subiu de 0,35% para 0,45%, com a inflação fechando o ano em 4,51%, dentro do intervalo da meta. Em 2021 e 2022, o IPCA superou o teto da meta, o que obrigou o Banco Central a divulgar carta aberta com explicações para a arrancada da inflação.
Depois da redução queda de prêmios neste ano, analistas veem alguns entraves para uma baixa acentuada dos DIs nos próximos meses. Além de inflação corrente menor e convergência das expectativas para a meta (3%), há necessidade de progresso no front fiscal, com cumprimento dos objetivos estabelecidos no novo arcabouço. Economistas veem com ceticismo a possibilidade de o governo entregar déficit primário zero em 2024 mesmo com aprovação de medidas para ampliação das receitas.