“Gostamos de tech, infelizmente todo mundo gosta, mas a maioria das pessoas gosta nos Estados Unidos, das sete grandes”, disse ele a jornalistas durante a Latin America Investment Conference (LAIC), evento promovido pelo UBS em São Paulo. Ele fez referência a pesos-pesados da tecnologia americanos, como Apple, Microsoft, Google e Amazon, que estão as empresas mais valiosas do mundo.
“Eu sempre achei que as techs davam melhores retornos nos EUA que nos emergentes. Mas hoje a diferença de preço é tão grande que eu acredito que é a primeira vez que devemos estar comprados em techs emergentes”, afirmou. Segundo ele, estas oportunidades incluem a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), gigante taiwanesa de fabricação de semicondutores, e todo o setor de internet da China.
Ao tratar de outros emergentes e de setores da economia tradicional, como as empresas produtoras de commodities, Baweja disse que os mercados atualmente estimam que o cenário nos próximos anos será o mesmo visto entre os anos de 2004 e 2007, em que China crescia a dois dígitos porcentuais todos os anos, puxando consigo a demanda por matérias-primas e os preços destes produtos em todo o mundo. “O mundo que a maioria espera é o de 2004 a 2007, em que a China estava decolando, e eu acho difícil que isso aconteça.”
Segundo o estrategista, o ano deve ser de menor ímpeto para os mercados de ações. Ele afirma que a queda na inflação deve acontecer ao mesmo tempo em que os salários crescem nos mercados desenvolvidos. Para as empresas, isso deve se traduzir em redução de margem, e consequentemente, em um crescimento dos lucros por ação abaixo do que o mercado tem previsto.
Ao comentar sobre o Brasil, o profissional do UBS disse que o País não conseguiu aumentar de forma importante a taxa de poupança desde os anos 1980 e 1990. “Quando a China estava crescendo mais, o Brasil não conseguiu ampliar sua taxa de poupança. Isso é um problema para o crescimento futuro do Brasil”, disse ele. Baweja afirmou que o País precisa estimular o investimento privado e cuidar das contas públicas para se preparar para este cenário.
No ano passado, segundo ele, o UBS estava comprado em Brasil, ou seja, recomendava a exposição ao mercado local. Agora, está mais cauteloso diante do cenário global, mas continua comprado em títulos públicos de prazo mais curto.