Na quarta-feira (28), investidores reagiram mal às declarações de Prates. Em entrevista à Bloomberg News, o executivo afirmou que a petroleira deve ser mais cautelosa em relação à distribuição de dividendos, à medida em que busca se tornar uma potência em energia renovável. O plano é de que, em dez anos, cerca de metade da receita da companhia venha de fontes eólicas, solares e de combustíveis renováveis.
Quando questionado sobre um eventual pagamento de dividendos extraordinários pela empresa, Prates desconversou. “Precisamos ser cautelosos. Os acionistas vão entender”, disse. “Eu seria mais conservador do que agressivo. Estamos no meio dessa grande decisão de nos tornarmos uma empresa de petróleo em transição”, complementou.
As falas, que surpreenderam o mercado e desanimaram os investidores que esperavam altos dividendos, fizeram os papéis ordinários da Petrobras (PETR3) encerrarem o pregão em queda de 5,39% na quarta-feira, cotados a R$ 41,6. Os preferenciais (PETR4) também se saíram mal e terminaram o dia em baixa de 5,16%, sendo negociados a R$ 40,43. Ambos ficaram entre os principais destaques negativos do Ibovespa no dia.
Ainda na tarde de quarta-feira, a Petrobras se posicionou sobre a questão. Em comunicado ao mercado, informou que não há qualquer decisão tomada em relação à distribuição de dividendos ainda não declarados. Destacou ainda que as decisões da administração sobre proventos, incluindo a proposta de destinação dos resultados a ser submetida à aprovação da Assembleia Geral Ordinária marcada para 25 de abril, serão tomadas com base na nova política de remuneração aos acionistas da companhia, aprovada pelo Conselho de Administração em julho de 2023.