O indicador medido pelo Instituto de Gestão da Oferta (ISM) caiu de 53,4 em janeiro para 52,6 nesta leitura, abaixo do consenso, de 52,8. A queda foi vista por parte do mercado como um bom sinal para a inflação americana e ajudou a puxar para baixo os rendimentos dos Treasuries (títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano), enquanto investidores aguardam sinais para a política monetária do país.
Esse resultado derrubou a cotação do dólar não só na comparação com o real, mas também em relação a outras moedas emergentes. Ao longo da tarde, no entanto, o movimento foi revertido. Aqui, a divisa chegou a tocar a mínima, de R$ 4,9404 (-0,14%), mas logo depois avançou até a máxima, de R$ 4,9617 (+0,29%).
Segundo o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo, o mercado permanece cauteloso com a possibilidade de o noticiário do exterior levar a uma valorização mais forte do dólar em relação ao real, o que conteve os efeitos do PMI americano.
“Se houver qualquer precipitação, se o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) falar que vai aumentar juros em vez de cortar, isso leva o dólar para R$ 5; mas, com a moeda nesse nível, o mercado não perde muito”, explica. “Se a moeda cai a R$ 4,80, isso levaria a um prejuízo muito grande.”
Aqui dentro, incertezas em torno do impasse sobre a reoneração da folha de pagamentos também impedem uma valorização do real, segundo Galhardo. Hoje, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse após reunião com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e líderes da Casa que a medida provisória 1.202/2023 – da qual o governo já tinha excluído o tema – ficará como está.
Segundo o analista de câmbio da Ourominas Elson Gusmão, outros pontos ajudaram a amparar a alta moderada do dólar hoje. O mercado mundial, ele nota, entrou praticamente em compasso de espera após o governo chinês ter decidido manter a meta de crescimento de 5% este ano, sem o anúncio de novos estímulos.
Agora, as atenções do mercado se voltam para números do mercado de trabalho americano que serão divulgados esta semana e que devem ajudar a calibrar as apostas no timing do corte de juros pelo Fed: o relatório Jolts de fevereiro, amanhã; números de pedidos de auxílio-desemprego, na quinta-feira (7); e o principal relatório do setor, o payroll de fevereiro, na sexta-feira (8).