No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 estava em 10,645%, de 10,720% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2026 caía de 11,32% para 11,23%. O DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 11,60%, de 11,70% ontem, enquanto a do DI para janeiro de 2029 marcava 12,03% (de 12,12%).
Na primeira etapa, o sinal de baixa era discreto. Apesar do alívio na curva dos Treasuries, pesavam sobre as taxas o desconforto com as declarações do presidente Lula relativas à área fiscal e as dúvidas sobre a permanência de Haddad no comando da Fazenda após o Senado devolver a MP do PIS/Cofins, visto como sinal de dificuldade na interlocução com o Congresso.
A partir do meio-dia, uma bateria de declarações de ministros e do próprio presidente Lula colocou as taxas em trajetória firme de baixa. Haddad disse que a agenda de revisão de gastos está ganhando tração, que o Congresso está disposto a encampá-la e que a Fazenda está “absolutamente” sintonizada com o Planejamento no chamado ‘spending review’. Sobre a Selic, disse confiar na qualidade técnica das decisões tomadas pelo Banco Central. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou que, seja pela ótica da revisão ou do corte, a agenda de gastos está sendo intensificada. “Há margem para rever despesa”, disse.
Geraldo Alckmin, que está no exercício da Presidência enquanto Lula está na Europa, afirmou que o governo buscará ajustes pelo lado da receita mas também da despesa. Por fim, Lula saiu em defesa de Haddad – “é extraordinário” -, dizendo que o ministro tentou construir uma alternativa à desoneração da folha ainda que não tivesse essa responsabilidade.
O estrategista da Traad Leonardo Cappa diz que houve exagero na dose de alta das taxas e as declarações deram oportunidade para alguma correção. “Parte do mercado acredita que o governo já ‘dilmou’ e outra, que não, que o movimento de ontem foi excessivo. Há um exagero na precificação de Selic, ainda mais considerando que os dados americanos estão soando como música para o mercado”, afirmou, lembrando que os DIs projetam aposta, ainda que residual, de alta para a Selic já no Copom de junho.
Hoje, o Departamento de Trabalho dos EUA informou que os preços no atacado caíram 0,2% em maio, ante consenso de alta de 0,1%, e o núcleo ficou estável, contra estimativa de avanço de 0,3%. Os números reforçaram a aposta de corte de juro nos EUA em setembro, com chance em torno de 70%. A taxa da T-Note de dez anos chegava ao fim da sessão abaixo de 4,25%.
Por ora, o recuo das taxas é visto mais como um respiro do que como tendência, na medida em que o mercado quer ver ações concretas na área fiscal via gastos antes de montar posições firmes na ponta vendedora. Para o economista-chefe e sócio da JF Trust, Eduardo Velho, prepondera o viés de compra de juros, que pontualmente pode ter uma realização rápida. “O cenário de corte de gastos é inexistente e ainda temos a sequência de perdas de receitas fiscais pelo Congresso”, argumenta.
Por outro lado, diz, a precificação de uma elevação dos juros no curto prazo tem racionalidade de captar o prêmio de risco, com pouca probabilidade de se concretizar. “Não está ocorrendo uma saída descontrolada de recursos para fora do país que exija isso e a inflação projetada também não é um descalabro e ainda ao redor do teto da meta”, justifica.